terça-feira, 15 de novembro de 2011

Da felicidade

Deram-lhe uma grande tarefa: construir a felicidade, mesmo que fosse num só pedacinho. Antes de qualquer coisa, buscou defini-la: “O que seria tal coisa?”. Não adiantaria caminhar insistentemente em busca de algo irreconhecível. Resolveu atentar-se a tudo que lhe parecia docemente colorido.

Uma menina descobrindo o sabor do amor, num beijo escondido, que, mesmo em meio a olhares que não se fixavam, causava-lhe frenesi à alma. Um senhor diante do neto que, sentado em seu colo, num frouxo abraço em volta do pescoço, roubava-lhe a atenção, ilustrando-lhe aventuras infantis. Um profissional inflando-se de satisfação pelo o reconhecimento dos bons resultados alcançados através do seu empenho. Uma mulher tornando-se infinitamente maior do que já supunha em toda sua vida, até então, ao tornar-se mãe.

Não havia ligações físicas entre o que observava, porém, a transcendência emocional e a amplitude sentimental que rondavam os acontecimentos levavam-na a crer que só entenderia a felicidade aquele qual conseguisse descobrir que a cada um cabe a responsabilidade pela construção da sua própria, mesmo sendo fundamental ter alguém por perto a partilhando.

domingo, 13 de novembro de 2011

O "Por quê?" de tal atração

Você sempre atrai homens cafas? A culpa é deles ou é você quem anda usando, mesmo que inconscientemente, essa característica como pré-requisito? Bem, para mudanças de hábitos, recomendo uma psicanálise (a la Sigmund Freud) ou um choque com a realidade. Irei desconstruir uma verdade que, talvez, assim como eu, você tenha se apoiado durante toda a vida: nem todo homem é cachorro (ou eles conseguem deixar de ser, em algum momento da vida).

Eu sei! As estórias cheias de cretinices que a sua prima lhe conta, os casos adúlteros vivenciados pela a sua amiga, os tombos que você mesma levou dos “príncipes encantados”, que lhe arremessaram dos seus cavalos brancos, são mais constantes que as situações contrárias. Mas, só que, há aquele seu primo que forma um casalzinho super fofo com a namorada e tem o pedido de casamento que a irmã da sua amiga recebeu, de um cara que quer tê-la ao lado por toda a vida. A questão não é discutir as proporções, somente a veracidade. Nem vale dizer que esses casais não têm problemas ou serão eternos, apenas que há respeito fundamentando o relacionamento e que eles querem que as coisas deem certo.

Há homens que são diferentes do habitual, porém, isso não torna tudo mais fácil. Existem os infindáveis fatores externos. O primeiro deles pode ser as desproporções numéricas. Porque não basta o número da população mundial feminina ser maior que a masculina, aumentando a concorrência, a quantidade de homens que NÃO se enquadram no senso comum tem que ser reduzidíssima. Outro ponto pode ser a mídia (e não, não faço a linha radical. Gosto da rede Globo e da revista Veja). Vamos ser sinceras! É uma verdadeira massagem ao ego ver um canalha incorrigível se transformando por amor. E sabe por quê? Porque quase todas as estórias românticas, tanto em livros, séries, novelas, filmes (esses em especial) e músicas, nos apresentam essas mudanças. Então, acabamos buscando por isso, também queremos ser o motivo para a redenção de alguém. Ah, a vaidade... Eis o grande mal feminino. #ficaadica

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Desapontar

Você sempre irá desapontar alguém. Quando não é intencional (e você tenta consertar logo as coisas), isso não significa nada, além de um reforço para toda a sua imperfeita humanidade. Estamos todos decepcionando e sendo constantemente decepcionados. Tudo porque esperamos do outro, seja compreensão às nossas necessidades, colaboração com os nossos projetos... Ansiamos à sensibilidade alheia, mas, estamos nós, também, disponibilizando isso ao outro?

O fato de você não corresponder às expectativas de alguém vai se tornando mais agressivo a medida que as suas tentativas de se redimir vão se esvaindo. Se você magoa e não se importa com os resultados disso, quem foi afetado só tem a acreditar que você não se preocupa em causar a dor. E, se essa pessoa nutre algum bem querer por você, tende a se decepcionar com a sua falta de sensibilização ante o seu sofrimento.

Claro que a intenção conta, mas a ação resulta. Portanto, se, mesmo sem querer, você deixou de atender ou entender, com a devida importância, alguém que lhe é especial, seja sincero e demonstre que essa situação não te fez bem também. #ficaadica

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sem tanta ingenuidade

Espere o melhor das pessoas, mas espere algo de alguém até essa pessoa te mostrar quem realmente ela é. Acredite no que você sente, mas saiba que isso não implica em acreditar no que o outro te diz sentir. E reconheça que, se ele fez por você, ele fará com você.

Pare de acreditar que olhar para um relógio com horas e minutos iguais significa que há alguém pensando em você. Pare de achar que a sua trágica “história de amor” vai ser contada, com um final feliz, num quadro do Fantástico. Pare de se acomodar com o que não te faz bem. Você não é poste! Logo, por meio de mágicas (ou fiações elétricas), não irá brilhar se ficar estagnada.

Você não tem que obrigação de estar bem ou sorrindo o tempo todo! Mas, ajuste-se com o real, mesmo que todas as células do seu corpo te queiram teletransportar para outra realidade (é uma lástima, mas a Ciência ainda não alcançou meios para tal façanha). Tente conviver da melhor forma possível com o que te cerca, tente mudar o que não te agrada... Só não se acomode!

Parece que, quando as coisas não vão bem, pouco importa que faça completo sentindo, não é mesmo? #ficaadica

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quase uma autoajuda

Sabe tudo aquilo que você tem que arrumar em sua vida (a bagunça no seu armário, a atualização no seu Currículo, o revertério em seus sentimentos, os planos infalíveis que foram abandonados...)? Pois é, não adie tanto. O que você vai colher em seu caminho depende exclusivamente do seu empenho durante a plantação. Às vezes, achamos não ter tempo para reorganizar, que tudo gira em torno do criar, do alcançar. Mas, o que fazer quanto ao que ficou para trás, empenado e precisando de um reajuste?

Isso pode até parecer ideia de livro de autoajuda (“Lays 'Cury' feelings”), só que eu não acredito em um único padrão que solucione os problemas de todo o mundo. Há muita individualidade em cada questão. Porém, há um ponto que é fundamentalmente essencial a todos: o amor próprio. Quanto mais você exala o que há de bom em você, mais coisas boas você absorverá. E a certeza de que este sentimento está presente em sua vida virá através do reconhecimento do quanto precisa do mundo e do quanto ele precisa de você (isso poderá ser obtido por meio de uma experiência científica, resultante da mistura de medidas exatas dos componentes autossuficiência e humildade).

Então, comece a se “arrumar”. Pense-se como uma casa que, devido ao mau uso, está estragada, sem condições de abrigar ninguém dignamente. Você vai ter que buscar ânimo para iniciar a reformar e disposição para cumprir essa tarefa que pode ser chata e cansativa. Dê novas cores ao ambiente, reforce a segurança, sem perder o aconchego, amplie os espaços dedicados às coisas boas e livre-se do que não acrescenta nada à beleza do lugar. No fim, os resultados atingirão a todos que estão por perto e principalmente a você. #ficaadica

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Perca-se

Perca-se por aqueles beijos. Aqueles com gosto de proibido, dentro do carro, na porta de casa. Aqueles inesperados, quando ele te puxa para perto de si, entre um grupo de amigos. Aqueles desesperados, quando seus corpos se necessitam. Aqueles tranquilos, depois de se terem, sobre um colchão, num abraço apertado.

Perca-se por aqueles sorrisos. Aqueles bem grandes, chegados com o reencontro. Aqueles secretos, depois de cruzarem os olhares pelo espelho, em meio a tanta gente. Aqueles singelos, durante confissões tão ímpares. Aqueles no canto da boca, depois de um elogio provocante. Aqueles gostosos, durante um beijo que perde o sentido em meio às risadas. Aqueles que nascem da lembrança de um outro sorriso.

Perca-se por aquelas palavras. Aquelas sussurradas, que causam arrepios. Aquelas tão firmes, que dão certeza àquilo que ainda nem se vê. Aquelas malucas, que lhe faz contorcer de rir. Aquelas esperadas, que causam tremor de alívio ao serem ouvidas. Aquelas reconfortantes, que apresentam um mundo em tons mais claros. Aquelas que foram ouvidas somente por vocês, firmando cumplicidade. Aquelas antes do adormecer, que tranquilizam à noite e revigoram os amanheceres.

Perca-se pelo que quiser, só não perca a essência.