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domingo, 8 de março de 2020

Não faz sentido sua flor

Não faz sentido homenagens em um dia enquanto não há respeito durante todos os outros. Não faz sentido exaltar "delicadeza" e "força" em um dia enquanto me rotula como incapaz, fresca ou louca durante todos os outros. Não faz sentido declamar minha "beleza" em um dia enquanto me obriga a odiar meu corpo, com suas marcas, cheiros, pelos e formas naturais, durante todos os outros. Não faz sentido me entregar bombom em um dia enquanto define meu caráter a partir das minhas vivências sexuais durante todos os outros. Não faz sentido me dar parabéns pelo meu dia enquanto despreza minha existência em piadas e comentários machistas e sexistas durante todos os outros. Não faz sentido se orgulhar da minha força em um dia enquanto invisibiliza o trabalho doméstico e materno, por exemplo, durante todos os outros. Não faz sentido falar do quanto ama as mulheres em um dia enquanto violenta nossa carne por meio da prostituição e pornografia durante todos os outros. Não faz sentido se emocionar com nossos feitos em um dia enquanto silencia nossa voz e inferioriza nossa luta durante todos os outros. Não faz sentido dizer que sou importante em um dia enquanto desrespeita minha autonomia sobre meu próprio corpo durante todos os outros. Não faz sentido se orgulhar do que sou em um dia enquanto limita o que é coisa de homem e o que é coisa de mulher em todos os outros. Não faz sentido dizer que dou cor ao mundo em um dia enquanto me impõe uma rotina de assédio e violação durante todos os outros. Não faz sentido cantar o que sou em um dia enquanto sufoca minhas vontades durante todos os outros. Não faz sentido falar de amor em um dia enquanto me acusa e repreende se resisto às suas expectativas sobre ser mulher. Não faz sentido "entregar" o mundo aos meus cuidados em um dia enquanto usa minha existência sempre para associações negativas ("mulherzinha" só adjetiva negativamente o ser humano) durante todos os outros. Não faz sentido se inspirar no que sou em um dia enquanto sexualiza meninas, minimiza violências psicológicas e morais, relativiza estupro e abusos sexuais e desacredita de vítimas de violências doméstica durante todos os outros. Não faz sentido escolher as palavra certas em um dia enquanto chama de dramática ou de "mimimi" minha percepção social da existência da mulher durante todos os outros. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Suporte

Você suporta um pouco mais, menina. Seu cansaço vai tentar te convencer que é arriscado levar, a lugares que insistem em abraçar a ignorância, um pedaço de luz que seja. Você pode, de repente, revelar o que se busca esconder com toda a mesquinharia de padrões confortáveis para quem se enxerga maior do que realmente é. Padrões, inclusive, que precisam esfregar em seu rosto o tempo todo o quanto será difícil não ser conformada com o que eles trazem. Mas, em meio a tantas negativas, forjaram também sua resistência.

Seja suporte, menina. Há tantas como você, inseguras sobre até que ponto podem escolher, marcadas por cortes profundos em suas intimidades, minadas ao se olharem, ainda que sozinhas, em seus próprios espelhos, incomodadas por não conseguirem se acomodar. Há tantas como você, buscando coragem também nos olhos chorosos daquelas que não conseguem se desprender do que tanto causa dor, gritando em silêncio que não cabem mais onde foram lançadas, não aceitando que o aceitável é se calar, é parar, é aceitar. Torne-se mão que seca lágrimas, que freia amarras, que acena por socorro, que segura a barra. Afinal, suas lágrimas também rolam, suas amarras também incomodam, suas fraquezas também precisam de ajuda franca. 

O mundo não precisa te suportar, menina. Seja agradável ao que te enxerga com as possibilidades da sua existência e não escute o que te emudece. Cuidar de si mesma é também se reconhecer da maneira que mais te deixar confortável. Se for preciso, confesse, àquelas que recebem do mundo o mesmo que você, todos os seus medos quando precisa se confrontar - até o de não conseguir mais ficar de pé na luta. Elas enfrentam as mesmas incertezas, ainda que tecidas em outros cenários.

O que te sustenta hoje, menina, é aquilo que suportou em si também o peso de precisar ser mais: outras meninas. Outras meninas que foram desenhando o poder que se pode alcançar sendo mulher. Outras meninas que, exaltadas entre si, são vistas bem pequenas mesmo em suas grandezas. Outras meninas que dizem o que sentem ou ainda não se sentem à vontade para isso. Outras meninas que não conseguem entender o porquê só porque não puderam fazer questionamentos. Outras meninas que, com olhos enganados, enxergam mais nas outras que em si próprias. Outras meninas que são entregues, são trocas, que são loucas, são fodas.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Mulher do cowboy se cansa da sela

Devido à empatia que leva alguém a se tornar leitor de algo, antes que comece sua leitura, preciso dar um aviso: este é mais um texto não consensual sobre mulheres. Ah! E também não é sensual. 


Nunca entendi o fascínio que causamos às palavras. Ao mundo, sim. Às palavras, não. Ainda que cantadas, rimadas, pintadas, mulheres acabam sempre como as melhores escolhas para inspirações. Mas por quê? Não, não crie expectativas, nunca me empenhei a decifrar tal drama, modéstia à parte, caímos muito bem a enredos artísticos, soa bem assim. Sou parte dessa classe inesgotável, que não pode deixar de ser ou de fazer. Clichês ou não, já fomos tão bem descritas nas travessuras de Vargas Llosa, tão desnudadas em versos de Vinícius, tão bem cantadas nos olhos de Chico e, por que não, tão bem ouvidas pelas palavras de Clarice (que Deus e todas as frases de efeito das redes sociais a tenham!).

Porém... Ah, o porém...

A literalidade nem sempre se apresenta tão devota. Aquele papo "IN-SU-POR-TÁ-VEL" sobre machismo, por exemplo, levantado por "aquele rebanho de mal-amada", é verdadeiro até em cidades do “interiorzinho”, quiridis. Muitas vezes, com menos holofotes (apenas menos holofotes, não menos devastador). Assédio se faz presente até quando queremos estar bonitas, mas não entendem que não é este o motivo para merecermos a vaga de emprego. Não pense que é tão bobagem assim, não quando você nunca perdeu ou ganhou oportunidades pela maneira que se apresenta ao invés do que pode fazer.

Voltando a nós, as "piegas" (tanto quanto usar este termo em qualquer expressão), quantos batons vermelhos já compramos porque lemos na Cosmopolitan (sim, amo e irei protegê-la) que os lábios rubros estão causando? E o quanto nós já choramos por ouvir ecoar sentimentos? Privilégio de um gene feminino dominante que é um pouco avesso à razão? Seria uma delícia responsabilizá-lo por nos induzir a furar a dieta ou sofrer daquele mal do "dedo-podre". Porém, terei que ser cruel... Você só é a fresca, fraca, iludida se aceitar esta sela e as esporas de preconceitos que te limitam a ser o foco dos pesadíssimos julgamentos alheios (de homi, de muié, de alma penada e do que mais for...). Cabe mais em você e menos no peso que precisa levar.

Mas, não percamos a esperança, nunca nos foi muito fácil viver e assumir o artigo feminino. Acabarei meu desabafo por aqui, cause a polêmica que for, porque só precisava mesmo escancarar minhas tormentas. Há muito a ser dito e ouvido sobre esses assuntos, eles não caberiam neste texto tão leve.

sábado, 7 de novembro de 2015

O que eu preciso (ou não) ouvir

"Numa bolsa feminina? Não falta um belo batom nem um espelho para conferir rapidinho o cabelo." As coisas mudaram, caro amigo, e muito devido ao seu problema em taxar de maneira tão pequena quem tem tanto mais a oferecer.

Na minha bolsa, terá sempre um batom, e um espelho, e um creme para as mãos, e um protetor solar, e um pouco do dinheiro que ganhei trabalhando (você consegue acreditar que já fazemos isso sozinhas e muito bem por sinal?), mas, hoje, o item que não fica de fora da minha companheira de saídas é um bom par de fones de ouvido. E aposto que não consegue entender a razão ainda. 

Vamos para o começo? Que eu me lembre, sempre vivi neste planeta e é fato que, nesses 20 e alguns anos por aqui, a maioria das coisas mudou, uma parte para evolução, outra, retrocesso, outra, só mudou.E aí é que tá! Nos passos por esta terra, comecei a notar que tenho mais do que ser apenas "a que precisa aceitar o mundo", "a que deveria rir mais baixo", "a que tem que ser comportada como as outras meninas" e, principalmente, tenho bem mais para ser do que "gostosa".

Ainda não fui muito clara? Ok. Não saio de casa sem meus fones de ouvidos porque gosto de ouvir coisas bonitas. E como foi conquistado o direito de escolher o que ouvir pelos fonezinhos, me esbaldo por não precisar conviver com tanta coisa feia solta por aí. Porque as piadas no trabalho sobre a dominação que o homem deve ter sobre a mulher ecoa no mesmo discurso de alguém que "até entende" o marido ter matado a mulher infiel dentro de casa. Porque a cantada recheada de vulgaridade me traz na mente imediatamente o fato de que vivo num país onde posso fazer parte da estatística de que acontece um estupro a cada onze minutos. Porque o fato de você querer restringir a minha capacidade à limpeza de casa baseia a perseguição do louco que se acha no direito de me violar por me notar como algo vulnerável. Porque sua afirmação de que mulher deve ter sempre um salário menor mexe lá naquela parte de mim que morre de vergonha por gostar de se arrumar e se assumir vaidosa sem precisar ser taxada de fútil ou "conquistadora".



São os fones de ouvido, que não saem mais de perto de mim, que me fazem ter forças para encarar as avalanches de estupidez que me são lançadas todo o tempo. Não conseguiu entender? Não precisa se esforçar muito se não quiser. Dificilmente saio de casa sem bolsa mesmo. #ficaadica

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Escrevoar

Sorte a sua ter a vida, toda ela a seu dispor. Vá, tente! Dispa-se, entregue-se ao sabor de saber de tudo ao menos por um segundo, já que o pé que te leva adiante ficará para trás antes mesmo de completar este passo. Ser passada é coisa que não combina em nada com a vida, ela só engrena corretamente quando toca rumo ao que vem por aí. Seja lá o que for, virá. Se for de agrado, prossiga até o ponto final. Se não, apresse-se em mudar de página. 

O livro é seu e, posso assegurar, vem com páginas em branco a partir da próxima linha, não descrito por todos os seus planos. Ao invés de roteiros, renda-se aos rascunhos. Rabiscos excitam mais que decalques. Que encante ou não aos leitores, mas a delícia da autoria será sua. Afinal, se há uma coisa para a qual você já nasceu preparada, foi para a sorte de viver.


Arquivo eletrônico

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O xis do platônico

Casei, sim, mas, não se preocupe, não passei por nenhum pó mágico da fada madrinha, e a minha vida continua sendo vida comum, agora com uma dose mais de coisas (inclusive to sem tempo para explorar mais essa minha nova condição por aqui). E, por continuar sendo a própria doçura em forma de pimenta, tem assunto que não posso ignorar, como o tal do amor platônico. Sim, ele existe na fase adulta também (bem, não sei se as pessoas com quem convivo são bons parâmetros, but... é o que tem pra hoje). 

Primeiro, vamos ao conceito segundo o dicionário:
pla·tô·ni·co adjetivo1. Relativo à escola e filosofia de Platão.2. De .caráter espiritual, sem desejo sexual (ex.: amor .platônico; relação .platônica). = CASTO3. Sem interesses materiais ou mundanos.4. Ideal.
"platônico", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/plat%C3%B4nico [consultado em 15-05-2015].

Por mais insano/infantil que possa aparecer, não são raras as pessoas que começam a nutrir sentimentos irreais por pessoas/personagens que sequer conhecem. Tá, na adolescência é aceitável manter a capa do caderno com a foto do ser venerado, ou chorar D.R.s mentais com quem sequer sabe o seu nome, ou esperar por horas para poder pegar o ônibus com o cobrador especial, ou ir ao mercado duas vezes por dia para encontrar o embalador mais lindo do mundo - cada um tem o platônico que quer! -, por exemplo. Mas e quando o tempo passa?

Fala sério, você passou algum tempo da sua vida se apaixonando por pessoas idealizadas, pessoas moldadas a seu bel-prazer, pessoas que nunca iriam te (re)conhecer/existir, construindo histórias de drama e amor, suspirando pela voz daquele cantor lindo e ruivo (sim, ele é amor platônico de uma pessoa que não vou dizer quem é), agora vai ter que cair na real de maneira tão brusca? Mesmo vivendo o conto real, você pode ser a borralheira presa no elevador com o ator da novela das sete, ou se imaginar vedada pela gravata cinza do sr. Grey, ou ser a bailarina inspiradora do clipe. 

O platônico não é querer alguém que você pode ter, é brincar com quem é impossível, e isso não atinge a capacidade de amar ou de se jogar nos braços do amor encontrado pelas esquinas concretas da vida. "Platonizar" não vai te tornar uma louca aluada que realmente acreditará que se casará com Christian Grey ou Edward Cullen (ambos antes de serem materializado nas telas), ou seduzir Ed Sheeran ou Luan Santana (fofíssimos e intocáveis) em seus vídeos no YouTube, ou até mesmo ser apresentada à família do cara que te dá bom-dia-e-nada-mais todos os dias na academia (também não vou revelar a fonte). É fake, gente! Não vai afetar o que você vive, muito menos o que é sua relação real se você tiver uma - minha situação. Claro, caso contrário, trate logo da autoestima e resolva-se.

Como eu não sou psicóloga nem psiquiatra, minha função, como jornalista, é ter sempre boas histórias para retratar, por isso, sou a favor de toda a criatividade (e otarice) que o amor platônico pode trazer ao mundo. Fiquem tranquilas, mizades! Afinal, é só uma brincadeira. Quer dizer, é só uma brincadeira, certo?! #ficaadica

segunda-feira, 9 de março de 2015

Eu sou violentada

Antes de pensar em qualquer conceito de violência, para dar continuidade à leitura, pare. Não se trata de soco, beliscão, estupro, não é nada tão físico (porém não deixa de ser violento). Agora, que você é uma pessoa um pouco mais sábia, porque conseguiu organizar suas ideias quanto à violência, podemos prosseguir.

Com a proximidade do internacional Dia da Mulher, a mídia pautou, a lei aprovada pelo Senado pautou, o trabalho pautou, as rodas entre amigas pautaram, os comerciais de perfumarias e lojas de departamento pautaram e o café da manhã com o maridão pautou também sobre o que vem do feminino. É! Não tem jeito, tudo foi envolta do mundo não tão cor-de-rosa que nos oferecem por aí. 

Mas, o sorriso do comercial ou o bombom da loja parceira funcionarão para me consolar depois de mais uma agressão? Quando meu corpo for alcançado por toques invasivos, quando eu for ridicularizada por buscar igualdade de tratamento, quando o tamanho da minha saia for alvo de ataques, quando eu tiver que engolir porque foi "só uma piada", quando a travessia na faixa de pedestre respaldar a virada de pescoço, conseguirei me agarrar à "doçura" do seu 08 de março?

Não dá para fugir, estamos mudando nossos olhares e incomodadas com os tons pintados em nossos dias. Sabe porquê? Descobrimos que podemos gostar do Grey, do marquês de Sade, do chicote do alazão, do que for, mas, em momento algum, isso jamais te dará o direito de dizer que "mulher gosta de apanhar". Ou que podemos gostar de carinho e de valorizar o nosso corpo, mas, em nenhuma hipótese, nos tornaremos "lâmpada do Aladdin" ou estaremos, com isso, te dando espaço para se apossar de um fio de cabelo, de um milimetro de pele que seja. 

Sabe o que mais descobri no meio do constrangimento diário por carregar os cromossomos XX? Que a TPM não é o motivo por não achar graça de comentários sobre bundas e cérebros, que tomar conta do fogão e do tanque não me inferioriza diante de ninguém, que vestir a roupa no tamanho que eu quiser não me torna puta, que sair para beber não abala meu profissionalismo, que me impor diante de agressões não me torna uma chata, tampouco uma coitada. 

Se Deus quiser, o mês continuará com seus outros 21 dias restantes, depois virá abril, maio, junho... E eu continuarei sendo mulher, a mesma que é importante para todos os 08 de março e tão agredida no restante do ano.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Não adianta negar, muda

Depois de meses de dedicação e evolução, cerca de 10 dias longe dos pesinhos, do suor (meu e alheio), do despertar com o sol, entregue ao sedentarismo, foram suficientes para eu me destroçar na tentativa de recuperar o ritmo nos exercícios físicos. Não é bem na minha luta diária (e fadada à derrota) contra a balança que pretendo focar, só estou usando o exemplo para chegar ao ponto: não importa o quanto já se tenha sido experiente em qualquer atividade, se não houver prática, o desempenho sempre será comprometido (pela insegurança ou pelo desuso mesmo). E não espere que eu entre no julgamento da situação, me apegarei somente à constatação do fato.

Uma amiga, casada há algum tempo, discorreu a mim sua tese de que ter um relacionamento sério e estável modifica a nossa animação para a vida social (floreei bastante os termos, mas o teor foi mantido). É mais ou menos o que aconteceu na evolução até o Homo sapiens, sabe? Não ter que ir à caça atrofiou várias características encontradas em nossos antepassados. Hoje estamos nós, aqui, reclamando ou decorando a vida em redes sociais, pedindo Temaki por telefone, cochilando durante vídeo-aulas, querendo impor nossos pontos de vista (ou a falta deles) e tendo preguiça para relacionamentos (ah, temos! Mas este assunto merece um texto exclusivo).

Posso ser sincera? Você está certíssima, amiga. Relutei alguns dias em aceitar, mas você foi extremamente sábia na sua constatação. Ter a garantia de uma noite (tarde ou madrugada) em boa companhia (ou apenas em companhia) nos arranca o tesão para enfrentar a selva de azaração que compõe boa parte das baladas e points atuais.

Casais modificam seus hábitos sociais. Mesmo amando da mesma maneira os amigos, as rodas de happy hour, dançar até o chão, fazer parte das viagens de fuga nos finais de semana emendados, a frequência de manutenção da popularidade passa a ser provada em doses menores que as habituais nos períodos de "solteirices". Não consigo formalizar o porquê, minha amiga também não definiu o que precedeu a sua teoria, então, para não perder o hábito, me resta apenas palpite (e este me pareceu bem apropriado!).

Quando se tem parceria, é tão mais confortável ficar em casa, de camiseta e calcinha de algodão, enroscando os pés sob o cobertor durante a seleção de séries e filmes para a tarde de sábado... Lembra que ~sair de casa já é se aventuraaaaar~? A dança da conquista é extremante chata para quem não vai ficar com o par (tá, no máximo,  divertida). Parece que quando você está comprometida e sem seu cônjuge é garantido se tornar o alvo das cantadas do lugar (será que emitimos algum sinal de presa desprotegida? Será que estamos tentando testar nosso poder de sedução, ainda que inconscientemente? :O) e é super chato ter que ficar se esquivando dos inconvenientes.

Claro, não terá jantar romântico que me fará desistir de disputar 30 cm² do bar badalado com as "miga" quando a motivação para sair de casa for sorrir com aquelas pessoas que têm lugar especial no coração. Pelo menos quando tiver motivo e disposição, né? Afinal, temos que atualizar nossas redes sociais também, reclamar do salário e dos quilos recuperados depois das férias da academia e lembrar do quanto é importante ter alguém com quem dividir o comando da Netflix. #ficaadica

domingo, 12 de outubro de 2014

O que é irresistível de verdade

Não, não te contei nada ainda. Beijo na boca no meio de uma enxurrada de palavras sempre é mais gostoso. Barba, sobre o pedaço certo da pele, incendeia qualquer corpo. Troca de olhares, risadas, mãos em lugares incertos... tudo isso é bom, gente, e faz bem. Mesmo. Não há problema algum em assumir isso. Sabe o que é problema? É ter que lidar com pessoas babacas o suficiente para não entenderem que mulheres não são “coisas” esperando por um rótulo numa prateleira ou seres que se tornam ainda mais vulneráveis quando assumem o que sentem e gostam.

Já falei que não tenho nada contra a cantada criativa do pedreiro, né? Uma pitada de bom humor não faz mal ao corre-corre das nossas rotinas. O que incomoda é cara sem noção se achando irresistível e com poder para invadir espaços (físico e/ou psicológico), mesmo sem qualquer indício de aceitação. Talvez seja a idade, ou a preparação para o matrimônio, ou a quantidade de histórias que ando ouvindo sobre assédio (sim, assédio não acontece só quando o patrão passa a mão no bumbum de secretária) ou tudo isso, mas ando extremamente intransigente com os desrespeitosos “galanteadores” que andam às soltas pela cidade.


Arquivo Eletrônico
Não é nada bom ter medo de se mostrar. Tem que berrar um palavrão para extravasar? Sinta-se à vontade! Pode ter certeza que ficar entalada será bem mais prejudicial que receber dois ou três olhares reprovadores. Fez calor? Pernocas de fora no comprimento que lhe for confortável! Acredite, não será uma burca que te livrará da “boca do povo”. Tenha mesmo preocupação em se definir, não em se enquadrar no que esperam (e cobram) de você. 

A sensualidade e a vaidade feminina não são recursos potencializadores na busca por alvos, não somos aviões caças, atacando loucamente, ávidas por abater novas vítimas. Surpreenda-se, mas não estamos sempre tentando conquistar alguém a cada mexida no cabelo ou a cada cruzada de pernas. Mais que um fã-clube no quarteirão, temos um ego para alimentar e uma autoestima sedenta por afago.

Então, sobre o que é mesmo irresistível, literalmente, aquilo que mulher alguma resiste de verdade hoje em dia, prepare-se, eis a revelação: NÃO SUPORTAMOS BABACAS! Queremos realmente morrer ou matar quando se aproximam! E não suportamos esse beija-beija, esses apelidos que enchem o saco, esse olhares de meninos encontrando a coleção de Playboy do irmão mais velho (na minha época, era assim que os garotos iniciavam a vida sexual, gente), essa proximidade forjada com nossas madeixas, esse papo chato sobre todas as suas “conquistas” femininas... Inclusive, "charmosão", quanto mais um otário se gaba para uma mulher, mais asco ela desenvolverá pelo ser em questão. Não estamos pedindo muito, não! Apenas reciprocidade no respeito que nos impomos. 

(Detalhe: ainda tenho 20 e poucos anos e sou uma mulher bonita e inteligente. Portanto, diferente do que institui o seu machismo, este não é papo de quem ficou para titia e, por não conseguir elogios, se ira por não ser aclamada. Se ainda não o fez, supere este tipo de conceito urgentemente! Além de sexista, ele é retrógrado e carregado por ignorância. Na boa, já sofremos bastante com TPM, cólicas, balanças, calças jeans, saltos altos... seja um estorvo a menos na correria dos nossos dias. Grata.) #ficaadica

sábado, 13 de setembro de 2014

Já te falei que tropeço não é queda?

Quando a vida te der a chance de levar uma topada, daquelas bem doídas, acredite, vai ser um dos melhores presentes que receberá. Você vai aprender que, apesar de terrível na hora, com o tempo, toda a dor passará e ficará só a lembrança para boas risadas. Você QUASE caiu, mas, com certeza, conseguiu se equilibrar de novo antes de chegar ao chão.

É para se sentir mais segura ao retomar o ritmo quando um pedaço mal colocado se deparar com sua displicência e te fizer titubear, mesmo tendo que levantar os olhos e encarar sem graça os que estão por perto. Perder o controle nunca é muito fácil para quem planejou um trajeto e resolveu desbravar a estrada.

Claro, essa agilidade, que te fez evitar desabar, não vai te imunizar contra futuras (e passadas) dores, muito menos contra a raiva de perder o passo, mas garanto que te fará mais firme até para o próximo tropeção. Sim, sim... Eles nunca deixarão de te perturbar, as ruas não foram ladrilhadas só para você, só para você poder passar.

Como qualquer outra coisa na vida, você tentará consertar antes de assumir que vacilou, apenas saiba que nenhum Gelol fará passar tão rápido, e a mancha roxa, aquela que dói quando você toca, levará um bom tempo para se desfazer. 

Você não caiu por um grande esforço seu, aproveite, carregue a delícia dessa conquista também. #ficaadica

Arquivo Eletrônico

domingo, 3 de agosto de 2014

O que você não sabe (mas deveria!) sobre o "te amo"

Você não precisa ter se debruçado sobre versos de Vinícius, nem ter assistido a Antes que termine o dia ou a Doce Novembro, nem ter tido o Roberto Carlos na trilha sonora de algum dos seus casos. Você não precisa entender o amor, você sequer precisa conhecê-lo ou buscá-lo. Você precisa é de coragem. Coragem para entrar (e, principalmente, sair) nas armadilhas propostas por este sentimento.

Quando perceber, num momento muito quente, que o pronome "te" na frase "te amo" dito por alguém se refere a você, se atente. Quando ouvir num momento inesperado, se atente também. Quando ler numa mensagem com o mesmo teor no What's ou num torpedo antes ou depois das 18h, mantenha a atenção. O importante é não se afobar, independendo de quanto tempo você tenha esperado para ouvir ou fugido dessa consideração, não será isso que mudará a sua vida, acredite.

Dificilmente a dosagem do "te amo" será a mesma entre quem fala e quem ouve. Quantas vezes você já quis evaporar ao ouvir alguém conjugando o verbo amar para você? E o quanto já se decepcionou por ter esperado demais para ouvir algo que só chegou depois de ter perdido o sentido?  Por outro lado, para quantas estrelas cadentes você já implorou por um momentinho clichê? E em quantos momentos você se agarrou a falsas verdades só para ter com o que sonhar na noite seguinte?

O "te amo" é assim, gente, nunca será como você espera nem poderá ser pautado em experiências acumuladas. Há mesmo quem diz o que sente e sente o que diz, como também, quem fala o que fala da boca para fora. Não espere que todos enxerguem responsabilidades nessa afirmativa. Mas não se assuste, um dia você ainda encontra a fórmula do amor e, mesmo as coisas sendo mais fáceis na televisão, vai conseguir apontar a resposta para a canção do Leoni. #ficaadica

domingo, 15 de junho de 2014

Só para fugir da azia

O problema do amor é que ele também corre riscos (diferente do que dizem os 50 tons de histórias que você imagina viver um dia) e a descoberta sobre a não existência de príncipes encantados não é tão benéfica e libertadora quanto se prega por aí. 

Saber que a paz do "felizes para sempre" é mera construção poética pode nos induzir ao erro de aceitar qualquer coisa que estiver por perto (só por estar a nosso alcance) e nos levar à culpa por querer mais (mais atenção, mais compreensão, mais noites românticas). 

Pensa aqui comigo, se ele te ofereceu tanto no início (e, pode apostar, se esforçará ainda mais quando notar que te perdeu ou para conquistar o próximo alvo), por que aceitar toda a responsabilidade de manter a harmonia abafando o que te incomoda? Só porque tem menos homens no mercado e você não quer ficar na prateleira? Só porque você encontrou o "homem da sua vida"? 

Deixa eu te contar dois segredos, miga? Primeiro: surpresa! Você não é produto, não! Logo, não deve se notar como parte de transações comerciais. E, segundo, você pode até querer muito dividir o armário e as conversas sobre as notícias do dia com ele, mas... talvez, ele não ache isso tão importante quanto você supõe. Acredite, só existirá o tal "homem da vida" enquanto você for a mulher da vez. 

Esteja atenta! A carência e a "certeza" do sempre nos tornam mais vulneráveis a cair em armadilhas. Quem tem muita fome, toma até sopa de pedra. Já quem está satisfeita, não se rende a qualquer petisco. Comer por gula nunca fez muito bem a ninguém. #ficaadica

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A minha roupa quem escolhe sou eu

"Bandeirinha bonita" é mais uma vítima de cometário infeliz - Arquivo eletrònico

Felizmente, a autoestima existe (não, não me refiro à megalomania nem à arrogância, o prazer de estar satisfeita consigo mesma vai além da pequenez de se sentir maior que os outros), o problema é que pouca gente parece ter descoberto que não é preciso sair por aí desfilando de Camaro amarelo ou com garrafas de Chandon para encontrá-la.

Não é por polêmica que estou aqui, me agarrando a um tema exaustivamente debatido, é por um puro desabafo. Nada contra desejar “a todas inimigas vida longa, para que elas vejam a cada dia mais nossa vitória”, só acho que o caminho está mais constrangedor a cada dia. E enquanto as nights e baladas gritam por “luxúria”, “ostentação” e mais um punhado de palavras que foram incluídas recentemente em alguns vocabulários, nós, nem todas as mulheres, mas muitas, ainda somos acometidas pelos reflexos de alguns desvios.

A cantada engraçada do pedreiro se torna ofensa quando vem carregada de vulgaridade, a noitada com amigas se torna um estresse devido ao assédio de alguns babacas, a ida de ônibus ao trabalho é muito mais cansativa que o desempenho das próprias atividades, o erro da arbitragem é atribuída a causas sexistas quando cometida por uma mulher (veja aqui)... Enfim, lembra da autoestima? Então, vem sido difícil mantê-la vívida. Não existe segurança que não se abale diante de tantas avaliações vindo por baixo.

Aproveito a deixa para esclarecer: não é o tamanho de uma saia que definirá o quanto alguém poderá invadir o espaço de outra pessoa. Fala sério, muito já foi abolido e conquistado até aqui, podemos, sim, vestir shorts curtos, arrasar na make, ser lindas e sair para beber com as amigas sem precisar da “atenção” da mesa ao lado. Não é porque vulgaridade funciona com algumas pessoas que servirá perfeitamente para todo mundo. #ficaadica

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mais do que foi visto (ou Novidade para o Dia da Mulher)

Arquivo Pessoal
"Afinal, o que as mulheres querem?", quem nunca ouviu, em tom queixoso, uma pergunta desse gênero? Sejam os apaixonados, se empenhando para agradar, os curiosos, em tentativas, fatalmente fracassadas, de entender o universo feminino, ou os raivosos, de saco cheio por nunca acertar. Bem, fiquem felizes, em síntese, somos bastante simples. Na maior parte das vezes, queremos nos resolver com a balança, nos firmar na carreira, mudar alguma coisa no mundo e encontrar amor. Na mesma medida, somos individualmente particulares (e essa redundância é mesmo indispensável), cada uma de nós busca coisas próprias, algumas, comuns, outras, nem tanto. Tá, é quase unânime, nem sempre recorremos às melhores (ou mais objetivas) formas para alcançá-las, complicações têm um cheiro mais excitante, entende?

Em linhas gerais: Nunca nos satisfazemos com o peso e, na mesma medida, não queremos abrir mão do chocolate. Até aí, tudo bem. O problema é que, além das gordurinhas, a autopercepção também é ampliada. Toda mulher em luta contra a balança deve sofrer do transtorno dismórfico (sim, namorado, até eu), caso contrário, não haveria tantas clínicas estéticas bem sucedidas. Parece exagero, tentamos nos convencer que é exagero (inclusive, nos chocamos com a paranoia de amigas próximas), só que esse discurso não funciona muito bem na frente do nosso próprio espelho, ou quando abandonamos a calça 38 e elevamos este número.

Adoramos falar, adoramos sensações, adoramos contato, adoramos detalhes... Certo, em geral, falamos muito mais que os homens, mas, nem sempre dizemos tudo o que queremos (juro que não faz mal perguntar ou tentar entender às vezes). E o mais importante, talvez nem as mulheres saibam disso, o fato de você sonhar em se casar e ter quatro filhos não te rebaixa à traidora do gênero, você pode ser até mais engajada às causas femininas (não adjetivei como "feministas" propositadamente) que aquela amiga que faz parte de algum grupo universal de mulheres e defende, sem polêmicas, cegamente a legalização irrestrita do aborto.

Sobre o amor, não haveria mesmo o que comentar, somos caçadoras de aventuras. Há alguns anos (hoje posso falar sobre isso porque não causa mais constrangimento a ninguém), comprovei o quanto somos indescritíveis. Mulher sonha com romance, com príncipe, com uma serenata e reclama pela falta desses componentes dando luz à vida, mas, de verdade, falta traquejo para lidar com isso na realidade (especialmente se o galã aparece na casa dos seus pais com um vinho para um lual). Aí, o tempo passa, as coisas mudam, mas o desejo por "contos de fadas" permanece, latente em alguma parte da sua consciência, com medo de ser acatado por algum acaso do destino. Parece que o problema é que, mesmo com um valente príncipe ao lado, as garrafas e o violão sempre continuarão assustando.

Só que, porque eu e a maior parte das minhas conhecidas tendemos aos mesmos erros, não significa que TODAS as mulheres reagem da mesma maneira quando expostas aos mesmos estímulos (e não, não somos ratinhas de laboratórios). O que eu quero dizer é que, amanhã é o Dia Internacional da Mulher, experimentem, por mais difícil que pareça, não nos olhar como uma espécie carente, complicada, em plena ascensão ou com qualquer outro conceito pré-fabricado pelo tempo, nos olhem como novidades, cheias de defeitos e gostosuras. Afinal, somos isso mesmo. Ah! E somos únicas. Todas mulheres, mas, únicas. #ficaadica

sábado, 21 de dezembro de 2013

O fim do ano e o "Complexo do Sapo"

Arquivo Eletrônico



Sempre tenho crises de final de ano. É uma coisa minha, já faz parte da minha natureza, é quase a finalização de um ciclo... Ah! E todo mundo pode ter uma “frescurinha” de vez em quando. Entretanto, este ano, a coisa está um pouco diferente. O que está acontecendo com todos os casais? (Tá, pelo menos com todos os que conheço!)

Tá todo mundo enfrentando crise ou rompendo laços por todas as fases do relacionamento (dos três meses aos três anos) em quaisquer faixas etárias (casais na segunda dezena da vida ou na quinta). Há quem queira reavaliar as prioridades e tudo que deixou de lado durante os mais de três anos de namoro, quem termina um namoro de alguns anos por que “já deu”, quem passou a enxergar defeitos na, até então, “alma gêmea”, quem pensa em jogar tudo para o ar depois de uma dúzia de anos de relação, quem perdeu a cabeça com a desatenção e cortou o rolo antes mesmo das raízes se aprofundarem, quem não entende mais o porquê do casamento... (tudo fato real e recente!) Tá tenso até para os casais "queridinhos" do meio artísitico! Grazi Massafera e Cauã Reymond já não vivem mais o "felizes para sempre" e Neymar e Bruna Marquezine mudaram os status nas redes sociais.

É fato, as fases ruins existem, mesmo sem traições, o casal se cansa, a paciência diminui, a necessidade de provocação aumenta, as dúvidas te enchem a mente... Isso é comum. O problema é a concentração de problemas conjugais nas últimas semanas. Todos parecem ter algo negativo a pontuar sobre os seus romances.

Como também tenho perdido algumas noites, desenvolvi duas teorias. A primeira é: conspiração! Sim! Tipo aquelas da "Teoria da Conspiração" mesmo! A combinação astrológica do mês foi moldada para arruinar a vida amorosa de quem tem um par, o comércio aproveitou para aumentar a venda de cerveja (o que deixa os homens mais ansiosos por “liberdade”) e de sapatos (que, quando de saltos altos, deixam as mulheres mais imponentes), a mídia explorou o quanto faz bem viver só e conquistar sua “independência”, os grupos de amigos começaram a comentar mais sobre as “gostosas” do barzinho, os grupos de amigas começaram a reclamar da falta de atenção e do quanto o carinha da academia melhorou e, aí, ano que vem, será chegará no mercado um protótipo americano de namorado (a) perfeito (a) robô que aquecerá a economia europeia (os robôs serão produzidos lá na Grécia) e permitirá que os “venusianos” controlem todas as lanchonetes Subway do planeta. E fim.

Já a segunda teoria, demorou mais tempo para ser notada devido a sua complexidade: alguma das partes do casal sofre de “Complexo do Sapo”. Explicação: um dos lados acha melhor engolir todas as moscas, ou porque não sabe agir de outra forma, ou porque não gosta o suficiente para tentar consertar as coisas. Aí, como qualquer dieta desregrada, em algum momento, gera estouros. E final de ano é sempre uma correria e, também, um marco para novas resoluções, logo, coisas acontecem. Melhor ser prudente, né? #ficaadica

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mande a vida sonhar!

Acordara tão desmotivada que havia optado por sair do palco e... 

Tá, desisti! Era mesmo para ser um texto "melodramaticamente" poético, but... Falta-me forças para talhar as palavras, portanto, hoje, as soltarei por aqui.

É que, na verdade, eu estava pensando o quanto a vida é autoritária! Ela nos conduz por mudanças lentas e sutis... Nem percebemos, mas deixamos de lado (ou para trás) um monte de coisas que sempre nos fez bem. Sim, acredito na lei do desapego, não dá mesmo para carregar tudo por todo o tempo, só que, às vezes, você cai em si e percebe que ainda adora aquele creme com cheirinho de frutas e não o encontra mais em seu armário, você ainda gosta de cantar no chuveiro, mas nem se lembra mais as letras que caem bem com o seu timbre.

Acho que anda faltando tempo para sonhar. Sonhar de verdade. Gastar tempo com coisas que podem (ou não) acontecer. Lembra o quanto se divertia imaginando encontrar um amor em uma esquina e planejar toda a vida numa casa com uma parede vermelha? E todas aquelas destemidas e desbravadoras viagens pelo mundo? E quanto ao emprego que lhe faria acordar antes mesmo que o despertador tocasse? Não precisa traçar metas e objetivos, só se projetar por alguns minutos onde quiser. Vá a Nova York, caminhe por alguma praça, depois que sair do trabalho, em dias outonais e viva um grande amor por lá.

Sobre a vida, mantenha sempre boas pessoas por perto, mas, se por alguma razão, você não fizer parte dos planos alheios, supere. Depois que passar o momento "ninguém me ama, ninguém me quer, blá, blá blá..." e todos os seus apelos por atenção forem fracassados, você vai, racionalmente, começar a entender que as agendas atuais andam corridas e apertadas de verdade (inclusive a sua!). E ninguém fica completamente só, portanto, dê menos atenção ao drama! Há aquele cara engraçado que te conta uma piada todos os dias na academia, há sua mãe (ou sua avó) que sabe fazer aquele chá superpoderoso, lógico, há sua operadora de celular que sempre te manda dezenas de mensagens por dia e há pessoas que aparecem de vez em quando.

Entenda, a vida é mandona mesmo! Mas a coitadinha só conhece a realidade, pouco (ou quase nada) sabe sobre os sonhos... Você é quem não precisa ser como ela. Mantenha-se aberta, escolha bons livros e uma sequência incrível de filmes (mesmo que sejam comédias-românticas), compre um cachorro (ou dê mais atenção ao seu priminho mais novo), volte a usar seus cabelos ondulados e tente ter mais lapsos de lucidez em meio à TPM. É transcendental! #ficaadica

Arquivo Pessoal

sábado, 31 de agosto de 2013

O problema não é você

Não, ninguém nasceu para ser só. Fique tranquila, é bem clichê assim! O problema não é você, é a falta de paciência do ser humano em manter duas diferenças unidas. 

Se há um lugar em que nós, mulheres, queremos estar (mais até do que vestida de noiva num altar) é numa zona de conforto, sobre o controle da situação. Mas, é melhor perder alguém que se perder. Por isso, às vezes, desistimos com o maior amor no peito, em outras, prosseguimos em vazio. 

Amar é mais que abrir mão da estimada batata frita porque ele prefere outro petisco, é mais que a mudança (ou não) nos planos do final de semana, é mais que ser a forma exata para o encaixe de conchinha... Tudo isso faz parte, mas não é suficiente. 

Com o tempo, você percebe que é preciso bem mais que gostar para as coisas darem certo e entende que as pessoas que fazem falta podem levar a vida numa boa com a distância. Acredite, saber disso muda muita coisa. #ficaadica

Arquivo Eletrônico

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Traçados

Arquivo Pessoal
Eu sei que você não se importa, mas eu parei de te esperar. Suas afrontas veladas não me tiram mais do sério. Sua indiferença? Acho que está esquecida naquela gaveta que juro organizar há mais de um ano. 

Não me incomodo em ir sozinha ao cinema ou àquela padaria onde dividíamos sonhos. Não espero mais que ninguém mude por mim, descobri que as pessoas só mudam pelo que sentem. 

E sou impulsiva demais para fazer escolhas certas. Ando solta, mas, tão firme quanto quando andávamos de mãos dadas. Não sei nem se isso é seguro, mas, quase sempre, me parece o mais saudável. E sobre a minha força e eu ser tão poderosa... Prepara! Bem de perto, sou menor. Tenho medo de perder o chão, de perder o certo e até de perder você.


Acredita que, ainda assim, mudaria tudo por suas palavras? Te contei os meus medos e isso me trouxe ao lugar de onde fugi: suas mãos. Gosto delas. E dos seus braços. E dos seus abraços. Daquele jeito que são só meus. Daquele jeito que me buscam na madruga e me prendem num espaço que eu não quero mais sair. 

Desde quando estamos tão um? Não te vi tomar conta do que um dia eu fui, nem te sentir tomar conta do que agora sou.

Olha aí, voltei. Não adianta. Aqui dentro, já te matei em todas as noites insones e te revivi antes mesmo de gritar a sua perda. Culpa daquelas tardes, deitados, enrolados num cobertor verde e daqueles filmes ridículos (ridículos por serem cheios de sentido que nos tiravam dali) e culpa da minha culpa que te pune por não ter me dito o que eu queria ouvir.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Acontece assim, sempre

Se você precisa lembrar a este alguém que sinta sua falta, apresse-se em não ir muito adiante. O tempo refina toda relação, as circunstâncias te trarão muitas pessoas e as adversidades te mostrarão quem deverá ficar de verdade. E, pode apostar, ficarão.

Das milhares de mãos que celebrarão suas vitórias, poucas estarão estendidas realmente. E não ouse pousar de vítima. Felizes os que apenas têm cinco ou seis pares de braços firmes para momentos difíceis ou tardes alheias, eles são sinceros.

O fato de ter tal afinidade não vai te poupar dos destemperos, afinal, que cabeça dura, não é mesmo? Claro, não subestime o valor de ninguém, todos nós somos falhos e, às vezes, agimos guiados por interesses inexplicáveis. E quando dá aquele rompante, o mundo gira e te surpreende outra vez.

Busque o que busca também, na mesma medida, no mesmo sabor. Não tenha pressa em conquistar todo o amor que pretende. Ele pode se dividir em mais fontes do que você imagina ou ser mais concentrado que qualquer outra coisa que já tenha provado. #ficaadica

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Historinha de princesa

Não gosto de ser catastrófica, mas, lamentavelmente, esse é o tipo de situação condicionalmente irreversível. Aprendemos, desde bem pequenas, que existe um tal de “feliz para sempre” e que ele depende exclusivamente do encontro com alguém. Essa é a razão por, toda vez que nos magoamos com um possível “alguém”, nos sentirmos tão fracassadas.

Precisamos entender que, por mais constante e galante que seja o príncipe, hora ou outra, ele parte em uma expedição. Ou para aperfeiçoar suas práticas de guerra, ou para expandir seus limites, ou para conquistar novos territórios... E, bem, a regra não é que ele volte e aporte no mesmo cais. 

A sorte é que nunca estamos sozinhas. Princesas contam com fadas madrinhas e, ainda que num torpedo, sempre encontram o afago necessário para manter o título (mesmo que seja de princesa ogra Fiona ou princesa guerreira Xena). #ficaadica