sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Traçados

Arquivo Pessoal
Eu sei que você não se importa, mas eu parei de te esperar. Suas afrontas veladas não me tiram mais do sério. Sua indiferença? Acho que está esquecida naquela gaveta que juro organizar há mais de um ano. 

Não me incomodo em ir sozinha ao cinema ou àquela padaria onde dividíamos sonhos. Não espero mais que ninguém mude por mim, descobri que as pessoas só mudam pelo que sentem. 

E sou impulsiva demais para fazer escolhas certas. Ando solta, mas, tão firme quanto quando andávamos de mãos dadas. Não sei nem se isso é seguro, mas, quase sempre, me parece o mais saudável. E sobre a minha força e eu ser tão poderosa... Prepara! Bem de perto, sou menor. Tenho medo de perder o chão, de perder o certo e até de perder você.


Acredita que, ainda assim, mudaria tudo por suas palavras? Te contei os meus medos e isso me trouxe ao lugar de onde fugi: suas mãos. Gosto delas. E dos seus braços. E dos seus abraços. Daquele jeito que são só meus. Daquele jeito que me buscam na madruga e me prendem num espaço que eu não quero mais sair. 

Desde quando estamos tão um? Não te vi tomar conta do que um dia eu fui, nem te sentir tomar conta do que agora sou.

Olha aí, voltei. Não adianta. Aqui dentro, já te matei em todas as noites insones e te revivi antes mesmo de gritar a sua perda. Culpa daquelas tardes, deitados, enrolados num cobertor verde e daqueles filmes ridículos (ridículos por serem cheios de sentido que nos tiravam dali) e culpa da minha culpa que te pune por não ter me dito o que eu queria ouvir.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Num punhado de saudade

Desde ontem me cansei dessa brincadeira de ficar longe. Ainda assim, agora, a saudade me parece algo demasiadamente colegial: gostosa, mas, desconcertante para esta época. E não quero ouvir seu sorriso ao ler essa verdade. Guarde-o para o beijo que pretendo te dar ao final desta leitura. Desse, sim, não me cansarei. Nunca. Por todo o sempre que estiver ao meu alcance. Falando em alcance, seu sabor tem passeado em meu gosto. Ao que me recordo, tão deliciosamente quente que me arrepia a espinha. E tenho sentido esse arrepio. Mesmo de longe. Sinto por fora, completamente sem critérios, sem modos. Diferentemente do que sinto neste pedaço de papel, tão cheio de advérbios modais, de realces particulares, de presença da sua falta. São tão nuances suas. E minhas. E nossas, de nós dois juntos forjando esse termo.

Eu te achei nesta ausência. Em pedaços miúdos. E me refiz depois, justo entre o medo de ser sozinha e o desejo por liberdade. Não teve nada a ver com esse encontro. Foi algo de passos trôpegos e só. Só de somente. (Você me deixaria fazer esse trocadilho piegas com só e mente? Achei mesmo que não.) Poderia jurar que te fiz maior, só que prefiro não me arriscar a te perder em resquícios vívidos e, espero, breves. Você sabe o quanto gosto de pele, de pelo, de encostar a cabeça em seu peito.

Ia te pedir, neste instante, uma canção para essas palavras. Dedilha alguma coisa enquanto me lê. Meus olhos sussurrarão aprovação, os manterei concentrados dessa vez. Só não quero som de saudade, deixa que isso eu encaixo em minhas letras e prosas. Ou em minha ligação no meio da noite. Expressa outra coisa. Não só com o olhar. Quero te ouvir. Mas, antes de tudo, quero te falar, te provar em meu corpo distante. Descarregue em mim qualquer coisa surrada e, aí sim, te darei a deixa para ficar calado, deitado ao meu lado.

Arquivo Pessoal

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Acontece assim, sempre

Se você precisa lembrar a este alguém que sinta sua falta, apresse-se em não ir muito adiante. O tempo refina toda relação, as circunstâncias te trarão muitas pessoas e as adversidades te mostrarão quem deverá ficar de verdade. E, pode apostar, ficarão.

Das milhares de mãos que celebrarão suas vitórias, poucas estarão estendidas realmente. E não ouse pousar de vítima. Felizes os que apenas têm cinco ou seis pares de braços firmes para momentos difíceis ou tardes alheias, eles são sinceros.

O fato de ter tal afinidade não vai te poupar dos destemperos, afinal, que cabeça dura, não é mesmo? Claro, não subestime o valor de ninguém, todos nós somos falhos e, às vezes, agimos guiados por interesses inexplicáveis. E quando dá aquele rompante, o mundo gira e te surpreende outra vez.

Busque o que busca também, na mesma medida, no mesmo sabor. Não tenha pressa em conquistar todo o amor que pretende. Ele pode se dividir em mais fontes do que você imagina ou ser mais concentrado que qualquer outra coisa que já tenha provado. #ficaadica

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Historinha de princesa

Não gosto de ser catastrófica, mas, lamentavelmente, esse é o tipo de situação condicionalmente irreversível. Aprendemos, desde bem pequenas, que existe um tal de “feliz para sempre” e que ele depende exclusivamente do encontro com alguém. Essa é a razão por, toda vez que nos magoamos com um possível “alguém”, nos sentirmos tão fracassadas.

Precisamos entender que, por mais constante e galante que seja o príncipe, hora ou outra, ele parte em uma expedição. Ou para aperfeiçoar suas práticas de guerra, ou para expandir seus limites, ou para conquistar novos territórios... E, bem, a regra não é que ele volte e aporte no mesmo cais. 

A sorte é que nunca estamos sozinhas. Princesas contam com fadas madrinhas e, ainda que num torpedo, sempre encontram o afago necessário para manter o título (mesmo que seja de princesa ogra Fiona ou princesa guerreira Xena). #ficaadica

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ainda existe

Você nasceu sozinha? Não! No mínimo, dentro da normalidade, você ainda nasceu bem segura à mamãe. Agora, vai desistir das pessoas e buscar a autossuficiência? Parece tentador, mas não sei se é tão lindo assim. Claro, se sua meta for chegar a uma gruta, com cabelos desgrenhados e coberta com o couro de algum animal que você despelou, estará no caminho certo (só não tenho certeza sobre a era).

Valerá a pena desistir da nossa “civilização” (dúvidas sobre adjetivar toda a humanidade assim ultimamente) por ter se frustrado com alguma coisa (ou muitas)? Bem, cada caso é um caso, só que, ainda, parece haver o que é digno de investimento bailando por aí. E, lamentavelmente, muita coisa horrenda também.

Tem quem nunca agradeça (por mais bravura e empenho gastos no feito), quem é péssimo em matemática e conhece pouquíssimo sobre a divisão (compreendida como o método utilizado por dois termos compartilhando resultantes), quem não confia e se torna inconfiável, quem machuca porque precisa se dar bem, quem nem se importa... Tem gente para te magoar de todos os modelos possíveis.

Mas... Há quem precise te ouvir no meio da crise, quem faça questão de dar uma passadinha em sua casa, só para sorrir depois de um dia cheio, quem reza pelo sucesso dos seus sonhos e você nem sabe disso, quem conhece além da divisão e te vê como termo de multiplicação, quem te ouve de verdade e não como argumento para se vangloriar diante da franqueza da sua fraqueza (com direito a colisão de palavras).

Portanto, reveja quem te cerca e não somente o quê. Agora, assim, caso encontre um caverna legal, confortável, relaxante, de fácil acesso, alimentação farta... Não hesite em me ligar passando a localização. Porque não tá fácil, não, viu? #ficaadica

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quase sem (ou cem) censuras

Estou em crise (ultimamente, tenho sido dessas com mais frequência que a TPM) e abusada com um tanto de coisa, inclusive com abuso de gente (na amplitude do termo). Só não abrirei mão do meu blog, não agora. Porém, como prova do meu desgosto com a humanidade, irei “soltar o verbo” neste post.

Para começar: não sou adepta aos contos de fadas, só que o patinho feio já se transformou no rei do lago. Em análise, acho que é por isso que “a beleza não põe mesa” (ou cama, numa adaptação mais adequada), todo mundo quer acreditar na beleza que não se vê. Formosura não é, definitivamente, critério feminino.

E sabe o que dizem sobre a grama do vizinho ser mais verde? Pois é... Parece que é bem mais acolhedora também. Mas, só parece. Não venha tentar me provar que a carreira, o relacionamento, a autoestima, a vida sexual, a relação com a balança e com o saldo bancário e até o português e o inglês de alguém vivem em perfeita harmonia. Você pode até “comprar o peixe”, mas, se passar um dia nesse jardim, perceberá o quanto a cobertura está falhada. E outra coisa, quem berra efusivamente alegria, ou está mascarando uma dura realidade ou tem transtornos psicóticos.

Finalizando: é sempre assim, tem a caça, o caçador, os seus dias certos e você, interpretando o que a vida escolheu para o momento. Só não se acomode. Não pense que a vida não tem mais a te oferecer. Se você vem dando o seu máximo à situação e o retorno não é nem de longe parecido, get up! Mude a rota, mude os ventos, mude o que for necessário, mas, mude. Pode até não melhorar muita coisa, no entanto, será diferente. #ficaadica