Você não precisa ter se debruçado sobre versos de Vinícius, nem ter assistido a Antes que termine o dia ou a Doce Novembro, nem ter tido o Roberto Carlos na trilha sonora de algum dos seus casos. Você não precisa entender o amor, você sequer precisa conhecê-lo ou buscá-lo. Você precisa é de coragem. Coragem para entrar (e, principalmente, sair) nas armadilhas propostas por este sentimento.
Quando perceber, num momento muito quente, que o pronome "te" na frase "te amo" dito por alguém se refere a você, se atente. Quando ouvir num momento inesperado, se atente também. Quando ler numa mensagem com o mesmo teor no What's ou num torpedo antes ou depois das 18h, mantenha a atenção. O importante é não se afobar, independendo de quanto tempo você tenha esperado para ouvir ou fugido dessa consideração, não será isso que mudará a sua vida, acredite.
Dificilmente a dosagem do "te amo" será a mesma entre quem fala e quem ouve. Quantas vezes você já quis evaporar ao ouvir alguém conjugando o verbo amar para você? E o quanto já se decepcionou por ter esperado demais para ouvir algo que só chegou depois de ter perdido o sentido? Por outro lado, para quantas estrelas cadentes você já implorou por um momentinho clichê? E em quantos momentos você se agarrou a falsas verdades só para ter com o que sonhar na noite seguinte?
O "te amo" é assim, gente, nunca será como você espera nem poderá ser pautado em experiências acumuladas. Há mesmo quem diz o que sente e sente o que diz, como também, quem fala o que fala da boca para fora. Não espere que todos enxerguem responsabilidades nessa afirmativa. Mas não se assuste, um dia você ainda encontra a fórmula do amor e, mesmo as coisas sendo mais fáceis na televisão, vai conseguir apontar a resposta para a canção do Leoni. #ficaadica
domingo, 3 de agosto de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Você vai precisar saber disso
Não que eu queira te abalar, só que me encontrei com ela noite passada. Ela está bem, os lábios ainda delineados por batom vermelho e os olhos, grandes, confiantes, ávidos por continuar. Desculpe a franqueza, mas, em nada mais você parece participar dessa busca, ela quer algo que não conseguiu conhecer ainda.
Quando se levantou, para conferir a maquiagem ou cumprimentar alguém no espaço ao lado, não me lembro ao certo, não pude deixar de passar os olhos pelos rabiscos que ela trazia na bolsa aberta sobre a cadeira. Até pensei em não comentar nada contigo, cara, mas, você vai topar com isso a qualquer momento. Ela não vai te impedir, nem tentar te convencer de que foram mesmo o melhor para outro. Não tem certeza sequer se foram algum dia, não depois que a paixão acabou e que, como ela buscou definir e, talvez tentando apagar qualquer vestígio de crueldade, cortou num traço firme da caneta, "só restou isso, com gosto de bebida quente esquecida num copo em cima da pia".
Enquanto observava os drinks descansando sobre a mesa, notei que você não terá mais que se preocupar com as marcas do batom escuro em suas taças. Precisará é se reabituar a escolher sozinho o restaurante e a pedir porções menores. Não poderá culpá-la mais pelos pratos em tamanho família. "Demorei?", assim interrompeu meus pensamentos. Acho que sorri. "E quanto às fotos?", suspirou, girando o que não havia se derretido das pedras de gelo. Por fim, decidiu que manterá vivos os sorrisos de vocês num canto, sob outras imagens no mural, enquanto houver espaços para eles. Não será para se debulhar em lágrimas, já que aprendeu que todo fim deveria ser doído, apenas para não ter que se confrontar com a situação de te esquecer.
A verdade é que ela tá evitando se debruçar sobre o que não é mais, nem ousou espiar o que ficará da ausência. Tá tentando não bater de frente, não gritar ao mundo e receber em eco que não haverá mais nada para vocês.
Sei que depois que se olharem nos olhos e dizerem adeus, ela vai procurar alguém para desabafar. Não o travesseiro, como deve ter feito, ensaiando essa força forjada para te arrancar da rotina. Ela acredita haver palavras para se dizer e ouvir quando muda a direção. Precisará confessar a alguém a sua culpa, por não tê-la atendido enquanto ainda acreditava que vírgulas eram melhores que pontos finais, e a dela, por ainda levar um pouco do que poderia ter te mantido em mais alguns passos da estrada.
O engraçado é que parece que ela não vai mudar em quase nada. Vai continuar gostando de dormir até mais tarde nos sábados, mesmo que não seja entre os seus braços. Não vai perder o gosto por matérias políticas, mesmo que não tenha com quem retrucar por pensar diferente. Suas coisas continuarão sendo suas, suas palavras continuarão sendo suas, seus dias continuarão sendo seus e, bem, quanto aos seus, de quem você escolher dá-los. Isso não a incomoda mais. Ou, talvez, ainda.
Não se assuste, mas, desta vez, acho que ela não vai enlouquecer.
O engraçado é que parece que ela não vai mudar em quase nada. Vai continuar gostando de dormir até mais tarde nos sábados, mesmo que não seja entre os seus braços. Não vai perder o gosto por matérias políticas, mesmo que não tenha com quem retrucar por pensar diferente. Suas coisas continuarão sendo suas, suas palavras continuarão sendo suas, seus dias continuarão sendo seus e, bem, quanto aos seus, de quem você escolher dá-los. Isso não a incomoda mais. Ou, talvez, ainda.
Não se assuste, mas, desta vez, acho que ela não vai enlouquecer.
domingo, 15 de junho de 2014
Só para fugir da azia
O problema do amor é que ele também corre riscos (diferente do que dizem os 50 tons de histórias que você imagina viver um dia) e a descoberta sobre a não existência de príncipes encantados não é tão benéfica e libertadora quanto se prega por aí.
Saber que a paz do "felizes para sempre" é mera construção poética pode nos induzir ao erro de aceitar qualquer coisa que estiver por perto (só por estar a nosso alcance) e nos levar à culpa por querer mais (mais atenção, mais compreensão, mais noites românticas).
Pensa aqui comigo, se ele te ofereceu tanto no início (e, pode apostar, se esforçará ainda mais quando notar que te perdeu ou para conquistar o próximo alvo), por que aceitar toda a responsabilidade de manter a harmonia abafando o que te incomoda? Só porque tem menos homens no mercado e você não quer ficar na prateleira? Só porque você encontrou o "homem da sua vida"?
Deixa eu te contar dois segredos, miga? Primeiro: surpresa! Você não é produto, não! Logo, não deve se notar como parte de transações comerciais. E, segundo, você pode até querer muito dividir o armário e as conversas sobre as notícias do dia com ele, mas... talvez, ele não ache isso tão importante quanto você supõe. Acredite, só existirá o tal "homem da vida" enquanto você for a mulher da vez.
Esteja atenta! A carência e a "certeza" do sempre nos tornam mais vulneráveis a cair em armadilhas. Quem tem muita fome, toma até sopa de pedra. Já quem está satisfeita, não se rende a qualquer petisco. Comer por gula nunca fez muito bem a ninguém. #ficaadica
sexta-feira, 30 de maio de 2014
O que era bom do tempo, passa
Conte mesmo mais uma mentira, aposto que ainda me fará bem. Minha vaidade vai adorar te ouvir inventando sobre o quanto sentiu a minha falta ou me procurou sem entender o porquê de eu ter sumido. Ainda assim, mesmo com um nó na garganta, continuarei a me reconhecer. Mesmo não estando no lugar certo, me manterei no meu jeito certo.
Tente me beijar enquanto te explico a quantas anda meu novo projeto. Mas, já saiba de antemão, vou ter que te impedir e, depois, sorrir. Sei que irá se levantar, procurando um cigarro pela mesa, junto a suas chaves, e dizer qualquer besteira sobre o que viria a ser a melhor decisão para mim, só para mostrar que esteve atento às palavras enquanto encarava meus lábios.
Não vou esperar que recorde dos velhos tempos, mas vou torcer para que traga alguma coisa gasta entre nós. Pode até ser sobre a banda que tocava na festa daquela noite. Só não deixe de soltar, assim, como quem nunca perdeu a proximidade, que foi a noite em que nos reencontramos pela terceira ou quarta vez.
Quanto às promessas, todas ficaram guardadas em alguma caixa daquelas que não mexemos por muito tempo. "Amor"... "Sempre"... Não, não vou te contar que consegui apagá-las, até por que, prefiro seus olhos mais leves e mudarei de assunto antes que possa sentir. Notei que mudou o corte de cabelo. Talvez, não dê mais enrolá-los com os dedos quando tudo acabar. Sei que entenderá. Mas, me manterei calada. E não procure os meus olhos para confirmar, fique perdido com seus pensamentos daí, resgatarei alguns por aqui.
Achei outros lugares para guardar aqueles planos que confidenciava a você, e vou soltar assim, sem qualquer cerimônia. Aí, nesse instante, terei que confessar: não morri de saudades. Em nenhum momento sequer.
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
A minha roupa quem escolhe sou eu
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| "Bandeirinha bonita" é mais uma vítima de cometário infeliz - Arquivo eletrònico |
Felizmente, a autoestima existe
(não, não me refiro à megalomania nem à arrogância, o prazer de estar
satisfeita consigo mesma vai além da pequenez de se sentir maior que os outros),
o problema é que pouca gente parece ter descoberto que não é preciso sair por aí
desfilando de Camaro amarelo ou com garrafas de Chandon para encontrá-la.
Não é por polêmica que estou
aqui, me agarrando a um tema exaustivamente debatido, é por um puro desabafo. Nada
contra desejar “a todas inimigas vida longa, para que elas vejam a cada dia
mais nossa vitória”, só acho que o caminho está mais constrangedor a cada dia. E
enquanto as nights e baladas gritam por “luxúria”, “ostentação” e
mais um punhado de palavras que foram incluídas recentemente em alguns
vocabulários, nós, nem todas as mulheres, mas muitas, ainda somos acometidas
pelos reflexos de alguns desvios.
A cantada engraçada do pedreiro
se torna ofensa quando vem carregada de vulgaridade, a noitada com amigas se
torna um estresse devido ao assédio de alguns babacas, a ida de ônibus ao
trabalho é muito mais cansativa que o desempenho das próprias atividades, o
erro da arbitragem é atribuída a causas sexistas quando cometida por uma mulher
(veja aqui)... Enfim, lembra da autoestima? Então, vem sido difícil mantê-la
vívida. Não existe segurança que não se abale diante de tantas avaliações vindo por baixo.
Aproveito a deixa para
esclarecer: não é o tamanho de uma saia que definirá o quanto alguém poderá invadir
o espaço de outra pessoa. Fala sério, muito já foi abolido e conquistado até
aqui, podemos, sim, vestir shorts curtos, arrasar na make, ser lindas e sair para beber com as amigas sem precisar da “atenção”
da mesa ao lado. Não é porque vulgaridade funciona com algumas pessoas que
servirá perfeitamente para todo mundo. #ficaadica
sexta-feira, 9 de maio de 2014
O que ele acha de tudo isso
Ei, menina, isso que você vem chamando de “maturidade”, antes mesmo que notasse, o seu coração já havia definido como cansaço. E vem mesmo com o tempo. Quando ele, implacável na busca por aventuras que desembocassem em calmarias, começa a se desvencilhar das adversidades, é sinal de que entrou no tal processo de maturação.
Ele aprendeu a se calar para evitar desgastes, o que nunca caberia nos planos passados. Sempre buscava ser ouvido, e até gritava se fosse preciso. Agora, prefere se sentir confortável a buscar novas emoções e vivê-las. Já foi tão marcado por seus atos inconsequentes que agora se satisfaz com qualquer lugar onde possa se esconder.
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| Arquivo Eletrônico |
Não precisa baixar o olhar. Ninguém vive muito tempo em consonância com o coração, logo saem do ritmo, mudam a batida e firmam um acordo em que o silêncio de um não tocará no barulho do outro. Sei que ainda consegue se lembrar o quanto já chorou por isso, mas solidão é espaço vazio demais, o que poucas vezes completa alguém.
Agora, que você nem sabe mais como escutá-lo, o barulho é seu e o silêncio, dele. Paciência, menina, paciência. Não é por mal, coração age assim mesmo.
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