"Numa bolsa feminina? Não falta um belo batom nem um espelho para conferir rapidinho o cabelo." As coisas mudaram, caro amigo, e muito devido ao seu problema em taxar de maneira tão pequena quem tem tanto mais a oferecer.
Na minha bolsa, terá sempre um batom, e um espelho, e um creme para as mãos, e um protetor solar, e um pouco do dinheiro que ganhei trabalhando (você consegue acreditar que já fazemos isso sozinhas e muito bem por sinal?), mas, hoje, o item que não fica de fora da minha companheira de saídas é um bom par de fones de ouvido. E aposto que não consegue entender a razão ainda.
Vamos para o começo? Que eu me lembre, sempre vivi neste planeta e é fato que, nesses 20 e alguns anos por aqui, a maioria das coisas mudou, uma parte para evolução, outra, retrocesso, outra, só mudou.E aí é que tá! Nos passos por esta terra, comecei a notar que tenho mais do que ser apenas "a que precisa aceitar o mundo", "a que deveria rir mais baixo", "a que tem que ser comportada como as outras meninas" e, principalmente, tenho bem mais para ser do que "gostosa".
Ainda não fui muito clara? Ok. Não saio de casa sem meus fones de ouvidos porque gosto de ouvir coisas bonitas. E como foi conquistado o direito de escolher o que ouvir pelos fonezinhos, me esbaldo por não precisar conviver com tanta coisa feia solta por aí. Porque as piadas no trabalho sobre a dominação que o homem deve ter sobre a mulher ecoa no mesmo discurso de alguém que "até entende" o marido ter matado a mulher infiel dentro de casa. Porque a cantada recheada de vulgaridade me traz na mente imediatamente o fato de que vivo num país onde posso fazer parte da estatística de que acontece um estupro a cada onze minutos. Porque o fato de você querer restringir a minha capacidade à limpeza de casa baseia a perseguição do louco que se acha no direito de me violar por me notar como algo vulnerável. Porque sua afirmação de que mulher deve ter sempre um salário menor mexe lá naquela parte de mim que morre de vergonha por gostar de se arrumar e se assumir vaidosa sem precisar ser taxada de fútil ou "conquistadora".
São os fones de ouvido, que não saem mais de perto de mim, que me fazem ter forças para encarar as avalanches de estupidez que me são lançadas todo o tempo. Não conseguiu entender? Não precisa se esforçar muito se não quiser. Dificilmente saio de casa sem bolsa mesmo. #ficaadica
sábado, 7 de novembro de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
Ela teria dito se houvesse tempo
Não são tratos ou contratos que mantêm as pessoas lado a lado. Não são planos nem o cesto de roupas sujas que seriam lavadas no próximo sábado que preservarão qualquer coisa. Não é aquela receita prometida para o almoço em família que garantirá algo além do agora. Até aquele download, resistente há dias, também não manterá nada.
As coisas a serem organizadas serão, finalmente, levadas a caixas e sacolas, ainda que não do jeito pretendido. Contas ficarão esquecidas, perdões, calados, mágoas, amolecidas. Os reencontros ficarão sempre como lembranças de planos. As promessas de Ano Novo, dessa vez, terão respaldo para se eternizarem como o que são, promessas.
O livro marcado em poucas páginas antes do epílogo ficará esquecido à espera do fim. Novas canções não marcarão mais momentos recortados por fascínio ou desdém. Não haverá tempo para buscar as fotos selecionadas, que durarão mais alguns meses até pararem na lata ao lado do balcão da loja. O restante do mundo conhecido até agora, com seus sabores e desencantos, não afetará o que vier a seguir.
Por todos os dias, um pedaço morrerá também. Algumas vezes, escandalosamente, mas, em sua maioria, de modo latente. É fim que não chega ao fim e que, sequer, é reconhecido. Nunca fecha o ciclo, nunca faz sentido, nunca cabe outra chance enquanto não mais existir, mas, sim, resistir à vida.
Quaisquer possibilidades de plenitude, esvaíram-se. A ausência, visivelmente, não passará despercebida e, apenas por ter existido, não poderá ser superada. Todos os dias haverá coisas para lembrar que não há forma de saciar a falta. O que ficou necessita da atenção do que não há mais e nada pode ser feito. A cada segundo, a vitalidade que ainda existe baterá de frente ao desespero do que não pode ser mudado nunca mais.
Não há culpados, amar não é o suficiente para impedir qualquer fim, para manter qualquer coisa viva. Não é a necessidade que eterniza, a vida também sabe sorrir em piadas de mau gosto.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Escrevoar
Sorte a sua ter a vida, toda ela a seu dispor. Vá, tente! Dispa-se, entregue-se ao sabor de saber de tudo ao menos por um segundo, já que o pé que te leva adiante ficará para trás antes mesmo de completar este passo. Ser passada é coisa que não combina em nada com a vida, ela só engrena corretamente quando toca rumo ao que vem por aí. Seja lá o que for, virá. Se for de agrado, prossiga até o ponto final. Se não, apresse-se em mudar de página.
O livro é seu e, posso assegurar, vem com páginas em branco a partir da próxima linha, não descrito por todos os seus planos. Ao invés de roteiros, renda-se aos rascunhos. Rabiscos excitam mais que decalques. Que encante ou não aos leitores, mas a delícia da autoria será sua. Afinal, se há uma coisa para a qual você já nasceu preparada, foi para a sorte de viver.
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
O xis do platônico
Casei, sim, mas, não se preocupe, não passei por nenhum pó mágico da fada madrinha, e a minha vida continua sendo vida comum, agora com uma dose mais de coisas (inclusive to sem tempo para explorar mais essa minha nova condição por aqui). E, por continuar sendo a própria doçura em forma de pimenta, tem assunto que não posso ignorar, como o tal do amor platônico. Sim, ele existe na fase adulta também (bem, não sei se as pessoas com quem convivo são bons parâmetros, but... é o que tem pra hoje).
Primeiro, vamos ao conceito segundo o dicionário:
Por mais insano/infantil que possa aparecer, não são raras as pessoas que começam a nutrir sentimentos irreais por pessoas/personagens que sequer conhecem. Tá, na adolescência é aceitável manter a capa do caderno com a foto do ser venerado, ou chorar D.R.s mentais com quem sequer sabe o seu nome, ou esperar por horas para poder pegar o ônibus com o cobrador especial, ou ir ao mercado duas vezes por dia para encontrar o embalador mais lindo do mundo - cada um tem o platônico que quer! -, por exemplo. Mas e quando o tempo passa?
Fala sério, você passou algum tempo da sua vida se apaixonando por pessoas idealizadas, pessoas moldadas a seu bel-prazer, pessoas que nunca iriam te (re)conhecer/existir, construindo histórias de drama e amor, suspirando pela voz daquele cantor lindo e ruivo (sim, ele é amor platônico de uma pessoa que não vou dizer quem é), agora vai ter que cair na real de maneira tão brusca? Mesmo vivendo o conto real, você pode ser a borralheira presa no elevador com o ator da novela das sete, ou se imaginar vedada pela gravata cinza do sr. Grey, ou ser a bailarina inspiradora do clipe.
O platônico não é querer alguém que você pode ter, é brincar com quem é impossível, e isso não atinge a capacidade de amar ou de se jogar nos braços do amor encontrado pelas esquinas concretas da vida. "Platonizar" não vai te tornar uma louca aluada que realmente acreditará que se casará com Christian Grey ou Edward Cullen (ambos antes de serem materializado nas telas), ou seduzir Ed Sheeran ou Luan Santana (fofíssimos e intocáveis) em seus vídeos no YouTube, ou até mesmo ser apresentada à família do cara que te dá bom-dia-e-nada-mais todos os dias na academia (também não vou revelar a fonte). É fake, gente! Não vai afetar o que você vive, muito menos o que é sua relação real se você tiver uma - minha situação. Claro, caso contrário, trate logo da autoestima e resolva-se.
Como eu não sou psicóloga nem psiquiatra, minha função, como jornalista, é ter sempre boas histórias para retratar, por isso, sou a favor de toda a criatividade (e otarice) que o amor platônico pode trazer ao mundo. Fiquem tranquilas, mizades! Afinal, é só uma brincadeira. Quer dizer, é só uma brincadeira, certo?! #ficaadica
Primeiro, vamos ao conceito segundo o dicionário:
pla·tô·ni·co adjetivo1. Relativo à escola e filosofia de Platão.2. De .caráter espiritual, sem desejo sexual (ex.: amor .platônico ; relação .platônica ). = CASTO3. Sem interesses materiais ou mundanos.4. Ideal.
"platônico", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/plat%C3%B4nico [consultado em 15-05-2015].
Por mais insano/infantil que possa aparecer, não são raras as pessoas que começam a nutrir sentimentos irreais por pessoas/personagens que sequer conhecem. Tá, na adolescência é aceitável manter a capa do caderno com a foto do ser venerado, ou chorar D.R.s mentais com quem sequer sabe o seu nome, ou esperar por horas para poder pegar o ônibus com o cobrador especial, ou ir ao mercado duas vezes por dia para encontrar o embalador mais lindo do mundo - cada um tem o platônico que quer! -, por exemplo. Mas e quando o tempo passa?
Fala sério, você passou algum tempo da sua vida se apaixonando por pessoas idealizadas, pessoas moldadas a seu bel-prazer, pessoas que nunca iriam te (re)conhecer/existir, construindo histórias de drama e amor, suspirando pela voz daquele cantor lindo e ruivo (sim, ele é amor platônico de uma pessoa que não vou dizer quem é), agora vai ter que cair na real de maneira tão brusca? Mesmo vivendo o conto real, você pode ser a borralheira presa no elevador com o ator da novela das sete, ou se imaginar vedada pela gravata cinza do sr. Grey, ou ser a bailarina inspiradora do clipe.
O platônico não é querer alguém que você pode ter, é brincar com quem é impossível, e isso não atinge a capacidade de amar ou de se jogar nos braços do amor encontrado pelas esquinas concretas da vida. "Platonizar" não vai te tornar uma louca aluada que realmente acreditará que se casará com Christian Grey ou Edward Cullen (ambos antes de serem materializado nas telas), ou seduzir Ed Sheeran ou Luan Santana (fofíssimos e intocáveis) em seus vídeos no YouTube, ou até mesmo ser apresentada à família do cara que te dá bom-dia-e-nada-mais todos os dias na academia (também não vou revelar a fonte). É fake, gente! Não vai afetar o que você vive, muito menos o que é sua relação real se você tiver uma - minha situação. Claro, caso contrário, trate logo da autoestima e resolva-se.
Como eu não sou psicóloga nem psiquiatra, minha função, como jornalista, é ter sempre boas histórias para retratar, por isso, sou a favor de toda a criatividade (e otarice) que o amor platônico pode trazer ao mundo. Fiquem tranquilas, mizades! Afinal, é só uma brincadeira. Quer dizer, é só uma brincadeira, certo?! #ficaadica
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Caminho
Caminhou tanto para encontrar alguém que não tivesse medo e, ao mesmo tempo, fosse carregado pelo pavor de perdê-la. Alguém que não se incomodasse em dizer o quanto a queria mesmo no meio de qualquer improvável. Alguém que tivesse disposição para traçar alguns planos para, pelo menos, boa parte dos seus sonhos. Alguém que a devorasse mesmo na combinação da calcinha confortável de algodão com o soutien vermelho sexy. Alguém que pudesse discordar sem precisar provar nada com isso. Alguém que soubesse o que dizer só para sufocar qualquer silêncio que brotasse. Alguém que reparasse e, ainda mais intensamente, preservasse. Alguém que dançasse com ela sobre a vida ao ritmo que escolhessem. Alguém que se importasse com qualquer coisa maior que a rotina.
Caminhou ainda mais para que não sentisse medo ao ser encontrada. Para que não se perdesse em qualquer solitário desafeto. Para que fosse interessante o suficiente numa noite de domingo. Para que compreendesse o que fosse real sem despejar o que viesse de dentro. Para que possuísse gracejo em qualquer direção de troca de olhares. Para que merecesse sorrisos e prantos da vida. Para que se entregasse sem pudor. Para que buscasse intensidade longe de receios ou medidas. Para que fosse enérgica em seu querer. Para que pertencesse ao seu doar.
Caminhou tanto em sua busca que não encontrou forças para a linha seguinte. Mas seguiu. No seu conjunto de continuidades, sem quaisquer pausas, caminhou.
terça-feira, 14 de abril de 2015
◘ Espere não ◘
Ainda espera muito de todos? Um conselho? Um convite? Um lembrete ou uma proposta?
Pare! Desista, vai ser feliz, sim, com os seus próprios pés.
Cansada de ser conformada ou escolhida, e assim desatada, note o seu sorriso.
Ah, o seu sorriso...
Ele pode te levar tão mais longe quando descobre uma maneira de te encontrar a sós.
Pare! Desista, vai ser feliz, sim, com os seus próprios pés.
Cansada de ser conformada ou escolhida, e assim desatada, note o seu sorriso.
Ah, o seu sorriso...
Ele pode te levar tão mais longe quando descobre uma maneira de te encontrar a sós.
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