Você suporta um pouco mais, menina. Seu cansaço vai tentar te convencer que é arriscado levar, a lugares que insistem em abraçar a ignorância, um pedaço de luz que seja. Você pode, de repente, revelar o que se busca esconder com toda a mesquinharia de padrões confortáveis para quem se enxerga maior do que realmente é. Padrões, inclusive, que precisam esfregar em seu rosto o tempo todo o quanto será difícil não ser conformada com o que eles trazem. Mas, em meio a tantas negativas, forjaram também sua resistência.
Seja suporte, menina. Há tantas como você, inseguras sobre até que ponto podem escolher, marcadas por cortes profundos em suas intimidades, minadas ao se olharem, ainda que sozinhas, em seus próprios espelhos, incomodadas por não conseguirem se acomodar. Há tantas como você, buscando coragem também nos olhos chorosos daquelas que não conseguem se desprender do que tanto causa dor, gritando em silêncio que não cabem mais onde foram lançadas, não aceitando que o aceitável é se calar, é parar, é aceitar. Torne-se mão que seca lágrimas, que freia amarras, que acena por socorro, que segura a barra. Afinal, suas lágrimas também rolam, suas amarras também incomodam, suas fraquezas também precisam de ajuda franca.
O mundo não precisa te suportar, menina. Seja agradável ao que te enxerga com as possibilidades da sua existência e não escute o que te emudece. Cuidar de si mesma é também se reconhecer da maneira que mais te deixar confortável. Se for preciso, confesse, àquelas que recebem do mundo o mesmo que você, todos os seus medos quando precisa se confrontar - até o de não conseguir mais ficar de pé na luta. Elas enfrentam as mesmas incertezas, ainda que tecidas em outros cenários.
O que te sustenta hoje, menina, é aquilo que suportou em si também o peso de precisar ser mais: outras meninas. Outras meninas que foram desenhando o poder que se pode alcançar sendo mulher. Outras meninas que, exaltadas entre si, são vistas bem pequenas mesmo em suas grandezas. Outras meninas que dizem o que sentem ou ainda não se sentem à vontade para isso. Outras meninas que não conseguem entender o porquê só porque não puderam fazer questionamentos. Outras meninas que, com olhos enganados, enxergam mais nas outras que em si próprias. Outras meninas que são entregues, são trocas, que são loucas, são fodas.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
quinta-feira, 5 de abril de 2018
Vestiria nossos sorrisos
Se você ainda estivesse aqui, me levaria pra casa? Me pegaria pelas mãos e me indicaria uma nova direção? No caminho, sei, me diria que tudo vai ficar bem e secaria o meu pranto. Você poderia ir me contando um tanto das suas histórias antigas também. Me colorindo um pouco com seus tons que já conheço de cor. Andando ao meu lado, eu saberia entrar no seu passo. Eu te abraçaria pelos ombros e, quando passassem meus soluços, contaria um pouco sobre a vida com a dor de não te ter. E você me ouviria com atenção, com o dedo sobre a boca e os braços se apoiando. Enquanto seguíssemos sob o céu azul, de uma tarde comum, te juraria não permitir que se tornasse apenas dor o que já foi meu norte.
Seria um breve desabafo sobre amar, sempre, saudades, pavor... Te contaria que há pouco descobri que nenhuma perda se cura por completo, basta uma coisa maior para que ela volte a apertar. E que ela (a dor) faz parte do que a gente constrói até mesmo em outros terrenos. Falaria que há tanto de você em mim que sua ausência também se tornou o que sou. Me tornei menor depois que conheci a grandeza da sua falta. Talvez, sentindo sua segurança, eu saberia recuperar minhas certezas. Eu te ajudaria a desviar das calçadas irregulares enquanto estivéssemos a seguir. Você me ensinaria a olhar com mais cautela para os lados antes de me decidir.
Eu iria querer reparar no céu que você insistiria em me mostrar. Os detalhes em todas as nuvens que não se repetiriam mais - assim como nós. Nada nos escaparia. Sempre soubemos nos envolver com nossas trocas. Você poderia me prometer que não iríamos nos cansar de continuar nossa caminhada? Não haveria uma estrada sequer para apenas um par de nossas pegadas. E, se o anoitecer se antecipasse e nos levasse a luz, sei que nada nos paralisaria. Seríamos as mãos apertadas enfrentando o que não se pode ver e se guiando mesmo sem reconhecer a trilha.
Buscaria seu cheiro, só para confirmar que não o esqueci mesmo por um dia que se foi nesse último ano. Você deixaria eu ficar por um tempo a mais com o nariz perdido no alto da sua cabeça? Murmurando, além de direção, te pediria cuidado. Teria que te contar como sinto falta da garantia de ter seu olhar, sua aprovação, sua orientação. Não choraria mais nessa hora. Daria um jeito de poder te assegurar umas boas risadas ainda. Fossem frouxas, de encher os olhos d'água, fossem perdidas, misturadas a quaisquer conversas.
Ah, quem me dera ter um pouco mais da paz de estar com você. Hoje, sem poder te encontrar, preciso aprender a vestir sorrisos, não mais sê-los.
Seria um breve desabafo sobre amar, sempre, saudades, pavor... Te contaria que há pouco descobri que nenhuma perda se cura por completo, basta uma coisa maior para que ela volte a apertar. E que ela (a dor) faz parte do que a gente constrói até mesmo em outros terrenos. Falaria que há tanto de você em mim que sua ausência também se tornou o que sou. Me tornei menor depois que conheci a grandeza da sua falta. Talvez, sentindo sua segurança, eu saberia recuperar minhas certezas. Eu te ajudaria a desviar das calçadas irregulares enquanto estivéssemos a seguir. Você me ensinaria a olhar com mais cautela para os lados antes de me decidir.
Eu iria querer reparar no céu que você insistiria em me mostrar. Os detalhes em todas as nuvens que não se repetiriam mais - assim como nós. Nada nos escaparia. Sempre soubemos nos envolver com nossas trocas. Você poderia me prometer que não iríamos nos cansar de continuar nossa caminhada? Não haveria uma estrada sequer para apenas um par de nossas pegadas. E, se o anoitecer se antecipasse e nos levasse a luz, sei que nada nos paralisaria. Seríamos as mãos apertadas enfrentando o que não se pode ver e se guiando mesmo sem reconhecer a trilha.
Buscaria seu cheiro, só para confirmar que não o esqueci mesmo por um dia que se foi nesse último ano. Você deixaria eu ficar por um tempo a mais com o nariz perdido no alto da sua cabeça? Murmurando, além de direção, te pediria cuidado. Teria que te contar como sinto falta da garantia de ter seu olhar, sua aprovação, sua orientação. Não choraria mais nessa hora. Daria um jeito de poder te assegurar umas boas risadas ainda. Fossem frouxas, de encher os olhos d'água, fossem perdidas, misturadas a quaisquer conversas.
Ah, quem me dera ter um pouco mais da paz de estar com você. Hoje, sem poder te encontrar, preciso aprender a vestir sorrisos, não mais sê-los.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
É bom que você saiba
Nossas estradas não vão nos ligar, baby. Nossos pés, que, sei, já pisaram sobre os mesmos cacos, não trilham os mesmos caminhos. Habitamos terras diferentes demais para traçar reencontros. Tô abrindo mão dos sobressaltos nas madrugadas e do celular o tempo todo ao meu lado. Não há mais como insistir sem precisar, antes, destruir do outro lado a admiração que nos atraiu um dia. É melhor parar por aqui, onde tudo parece inacabado, mas ainda há o que pode ser mantido de pé: um sorriso lembrando do outro.
Quando damos a alguém um lugar em nós, vamos traçando um tanto de detalhes em nossas rotinas que nos tragam um pouco dessa pessoa para perto todo o tempo, e é difícil mesmo ir limpando esses vestígios de vez. Eu, de qualquer forma, não vou esperar que as coisas mudem muito a partir de agora para mim ou para você. A não ser entre o tal "nós" que poderia ter existido e vamos deixar de lado. O "nós" que não vai mais combinar um final de semana que não dará certo. O "nós" que não vai esperar a noite chegar para trocar palavras antes de dormir. O "nós" que não vai precisar pedir desculpas pela falta de sinal nos celulares e pelas viagens de última hora a trabalho. Vou continuar com as coisas que me enchem cabeça por aqui, e você, com as coisas que te enchem a cabeça por aí.
Não vou mais te imaginar se distraindo no meio do expediente ao receber uma foto inusitada, ou esboçando um sorriso para a nova promessa de vida fitness, ou ouvindo mil vezes aquela música que recortei para te encaixar. Não posso te pedir para ficar em um lugar que nunca esteve. Não posso te aceitar em um lugar que eu mesma não posso chegar. Continua a correr em seu mundo, um dia seus passos te levarão aonde planeja alcançar. Se precisar, dê a mão a quem estiver por mais perto. Eu consigo entender que não há culpa em nossa ausência. Não foi por faltar em nós que abandonamos nossas possibilidades, foi por desencaixe. Não vou te tornar maior nem menor do que realmente foi aqui, em mim.
Mantenha nossas trocas em algum lugar que não te cause incômodo - deixei as minhas só em memórias, excluí em todo o restante. Lembranças, às vezes, são mais bonitas que a realidade. Por sorte, não conseguimos carregar o que não nos esforçamos, ao menos um pouco, para manter por perto. Então, escuta o meu conselho: puxe um pedaço do que te fez sentir muito bem desde que me conheceu e guarde para quando precisar se lembrar de que é capaz de conquistar coisas que valem a pena. Pode rir. Gosto do jeito como você faz isso - e essa vai continuar sendo a minha intenção (estou fazendo meu olhar intimidador agora mesmo enquanto te escrevo). Nós nos encantamos porque fomos imperfeitos na medida um para o outro, com todo esse lance de sedução e interesse. Mas, não se preocupe, virão novos encontros capazes de nos tirar o sono e o fôlego num gesto só. Temos potencial.
Tá, a verdade é que, por dentro, ainda vou levar um tempo torcendo para que não seja bem assim como tem que ser. Afinal, ficaram coisas... o sofá à espera de ajuda, a viagem que merece ser feita a dois, o café da padaria, a agenda a ser organizada... Tenho mania de me habituar rápido aos planos. Entretanto, me tornei grande demais para não por a mão na massa e construir o que espero. Você me entende, né? Para continuar insistindo, teria que me encolher a tal ponto que me tornaria irreconhecível até para mim mesma, seguindo o que nos restasse. Desistir também é tentativa, sabia? Tentativa de, em lucidez, reconhecer que seguir o coração pode não ser a melhor escolha. Não é por falta de querer, é por necessidade de sentir o maior do mundo com os próprios sonhos.
Quando damos a alguém um lugar em nós, vamos traçando um tanto de detalhes em nossas rotinas que nos tragam um pouco dessa pessoa para perto todo o tempo, e é difícil mesmo ir limpando esses vestígios de vez. Eu, de qualquer forma, não vou esperar que as coisas mudem muito a partir de agora para mim ou para você. A não ser entre o tal "nós" que poderia ter existido e vamos deixar de lado. O "nós" que não vai mais combinar um final de semana que não dará certo. O "nós" que não vai esperar a noite chegar para trocar palavras antes de dormir. O "nós" que não vai precisar pedir desculpas pela falta de sinal nos celulares e pelas viagens de última hora a trabalho. Vou continuar com as coisas que me enchem cabeça por aqui, e você, com as coisas que te enchem a cabeça por aí.
Não vou mais te imaginar se distraindo no meio do expediente ao receber uma foto inusitada, ou esboçando um sorriso para a nova promessa de vida fitness, ou ouvindo mil vezes aquela música que recortei para te encaixar. Não posso te pedir para ficar em um lugar que nunca esteve. Não posso te aceitar em um lugar que eu mesma não posso chegar. Continua a correr em seu mundo, um dia seus passos te levarão aonde planeja alcançar. Se precisar, dê a mão a quem estiver por mais perto. Eu consigo entender que não há culpa em nossa ausência. Não foi por faltar em nós que abandonamos nossas possibilidades, foi por desencaixe. Não vou te tornar maior nem menor do que realmente foi aqui, em mim.
Mantenha nossas trocas em algum lugar que não te cause incômodo - deixei as minhas só em memórias, excluí em todo o restante. Lembranças, às vezes, são mais bonitas que a realidade. Por sorte, não conseguimos carregar o que não nos esforçamos, ao menos um pouco, para manter por perto. Então, escuta o meu conselho: puxe um pedaço do que te fez sentir muito bem desde que me conheceu e guarde para quando precisar se lembrar de que é capaz de conquistar coisas que valem a pena. Pode rir. Gosto do jeito como você faz isso - e essa vai continuar sendo a minha intenção (estou fazendo meu olhar intimidador agora mesmo enquanto te escrevo). Nós nos encantamos porque fomos imperfeitos na medida um para o outro, com todo esse lance de sedução e interesse. Mas, não se preocupe, virão novos encontros capazes de nos tirar o sono e o fôlego num gesto só. Temos potencial.
Tá, a verdade é que, por dentro, ainda vou levar um tempo torcendo para que não seja bem assim como tem que ser. Afinal, ficaram coisas... o sofá à espera de ajuda, a viagem que merece ser feita a dois, o café da padaria, a agenda a ser organizada... Tenho mania de me habituar rápido aos planos. Entretanto, me tornei grande demais para não por a mão na massa e construir o que espero. Você me entende, né? Para continuar insistindo, teria que me encolher a tal ponto que me tornaria irreconhecível até para mim mesma, seguindo o que nos restasse. Desistir também é tentativa, sabia? Tentativa de, em lucidez, reconhecer que seguir o coração pode não ser a melhor escolha. Não é por falta de querer, é por necessidade de sentir o maior do mundo com os próprios sonhos.
domingo, 24 de dezembro de 2017
Mais um pedido
Canta para mim esta noite? Escolha qualquer coisa que me faça sorrir antes que me perca em sonhos. Deixa eu ouvir sua voz arranhada recomeçar a mesma canção até encontrar o tom correto, isso também me fará mais feliz. Canta para mim esta noite, qualquer som me faz sentido quando sai dos seus lábios.
Sonha comigo o futuro? Não o futuro distante, de anos à frente do que temos agora. Há tanto projeto que não posso manter sem te ter. Sonha comigo o futuro para o almoço do próximo domingo, para a viagem em agosto à cidade em que você viveu por tanto tempo, para a lua certa para seu novo corte de cabelo, para mudar as violetas dos vasinhos. Sonha comigo o futuro do que me resta.
Deixa eu deitar em seu colo? Só até eu recuperar minha calma e convencer minha alma de que amar também é sorrir para o que não há. Deixa eu deitar em seu colo apenas para que seu cheiro esteja em mim quando eu me levantar e que eu tenha tempo para percorrer todas as suas sobras de pele com meus dedos enquanto você me faz cafuné.
Divide comigo a tua fé? Lembro que suas preces afugentavam pavores e te tornavam inabalável. Tenho tido medo de escuro. Na verdade, medo de não conseguir me afastar da falta de luz que me cerca quando não sei fugir dessa ausência. Divide comigo a tua fé só para tornar mais leve a espera pelo que virá.
Faz tua morada em mim? Não aqui, entre estas palavras ou em qualquer outro lugar que eu possa não caber mais, mas, em mim. Faz tua morada em mim. Onde eu possa te levar, te cantar e te contar, onde eu não te perca por ter medo nem por não saber te tocar. Faz tua morada em mim, aqui tudo quer te ver em paz, quer te ouvir sorrir, quer te ver viver.
Sonha comigo o futuro? Não o futuro distante, de anos à frente do que temos agora. Há tanto projeto que não posso manter sem te ter. Sonha comigo o futuro para o almoço do próximo domingo, para a viagem em agosto à cidade em que você viveu por tanto tempo, para a lua certa para seu novo corte de cabelo, para mudar as violetas dos vasinhos. Sonha comigo o futuro do que me resta.
Deixa eu deitar em seu colo? Só até eu recuperar minha calma e convencer minha alma de que amar também é sorrir para o que não há. Deixa eu deitar em seu colo apenas para que seu cheiro esteja em mim quando eu me levantar e que eu tenha tempo para percorrer todas as suas sobras de pele com meus dedos enquanto você me faz cafuné.
Divide comigo a tua fé? Lembro que suas preces afugentavam pavores e te tornavam inabalável. Tenho tido medo de escuro. Na verdade, medo de não conseguir me afastar da falta de luz que me cerca quando não sei fugir dessa ausência. Divide comigo a tua fé só para tornar mais leve a espera pelo que virá.
Faz tua morada em mim? Não aqui, entre estas palavras ou em qualquer outro lugar que eu possa não caber mais, mas, em mim. Faz tua morada em mim. Onde eu possa te levar, te cantar e te contar, onde eu não te perca por ter medo nem por não saber te tocar. Faz tua morada em mim, aqui tudo quer te ver em paz, quer te ouvir sorrir, quer te ver viver.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Feito elas
Somos esse conjunto de dores e sabores que nos moldam dia após dia, em meio a escolhas e arrependimentos, a acertos e indecisões. Num caber maior que o imaginar, somos forjadas em prantos quentes e prazeres sóbrios. Nós somos constelações grandes demais, particulares demais.
Costuramos uma porção de marcas. Marcas do tempo, daquela ausência constante. Marcas de sol, daquela caminhada num dia mais quente. Marcas de estrias, de um corpo que se abriu ao que precisava. Marcas de rugas, de choros silenciosos no chuveiro e gargalhadas estrondosas entre nós. Marcas de desencanto, por tantos começos com finais exatamente iguais.
Há colo em meio a nossas dores, por sorte, mesmo contradizendo a tantos rumores, não ficamos menos fortes quando nos mostramos doces. Às vezes, sem escolhas, somos escombros pintados em arte, noutras, a arte de se desmanchar em cacos. Mesmo disfarçadas ou entregues, acredite, não somos apenas o que se pode ver. Se não nos tocar, não seremos nem o que se pode supor sentir.
Não ouse nos limitar. Não há definições em nossos vestidos, nem em nossos cabelos, nem nas cores dos nossos batons (ou na ausência deles), nem nos livros em nossas prateleiras, nem nos pesos em nossas balanças, nem nos amores que buscamos viver (em um dia ou numa vida), nem nas vezes que desistimos, nem nas vezes que desafiamos.
Trouxemos sempre mais que pedaços de projeções, de conteúdos inferiores, de dores e passados. Há porções frescas do que somos sendo descobertas por nós mesmas a todo instante. Contentem-se com o vislumbrar de toda essa grandeza de mulheres comuns que inspiram até mesmo o mundo a parar de girar.
Há colo em meio a nossas dores, por sorte, mesmo contradizendo a tantos rumores, não ficamos menos fortes quando nos mostramos doces. Às vezes, sem escolhas, somos escombros pintados em arte, noutras, a arte de se desmanchar em cacos. Mesmo disfarçadas ou entregues, acredite, não somos apenas o que se pode ver. Se não nos tocar, não seremos nem o que se pode supor sentir.
Não ouse nos limitar. Não há definições em nossos vestidos, nem em nossos cabelos, nem nas cores dos nossos batons (ou na ausência deles), nem nos livros em nossas prateleiras, nem nos pesos em nossas balanças, nem nos amores que buscamos viver (em um dia ou numa vida), nem nas vezes que desistimos, nem nas vezes que desafiamos.
Trouxemos sempre mais que pedaços de projeções, de conteúdos inferiores, de dores e passados. Há porções frescas do que somos sendo descobertas por nós mesmas a todo instante. Contentem-se com o vislumbrar de toda essa grandeza de mulheres comuns que inspiram até mesmo o mundo a parar de girar.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Antes que eu me esqueça
Senta aqui, do lado de cá. Não quero olhar seus olhos, eles não são mais nada para mim. Eu preciso, na verdade, me desculpar pelo monstro que te tornei. Ele também tem me assustado. Nunca foi minha intenção contribuir para que se tornasse essa pessoa tão mesquinha e vazia. Não, não comece a falar. Ainda não terminei.
Faz algum tempo que não sou mais seu número. Cresci. Você, não. Não sei se por não querer, ou não poder, mas o fato é que me tornei maior do que pode suportar. Maior até do que já pude supor, confesso, do tamanho dos sonhos que posso construir. E Deus me livre de voltar a ser menor. Quanto ao mérito por esse crescimento, não vou te dar. Nem um grama. Ele é todo meu. Eu me forjei. Eu fui forjada.
Eu quis sair desse lugar te aplaudindo pelo ser que foi há algum tempo. Quis deixar minha mão pendente para segurar uma amizade. Quis saber se as coisas ficariam bem com você. Mas, com tudo que chegou a mim, não preciso. Na realidade, mais do que isso, você não merece, não com todo esse desejo de me machucar. Não merece sequer se tornar uma lembrança gostosa, uma saudade qualquer. Decidi que tudo que preciso manter de você hoje em dia é aquela carta, com letras marcadas, em que tentou destilar toda sua pequenez contra a minha autoestima. Preferi ser compreensiva à sua dor e imaginar que uma agressão tão gratuita só poderia vir de quem já traz feridas muito feias consigo.
Acho uma pena que não exista orações e estrofes mais bonitas para desenhar o que nos aconteceu. Acho mesmo. Entretanto, se tivesse conseguido vislumbrar tudo que me vem agora, talvez não tivesse te blindado de toda a minha frustração com silêncios, olhares ou súplicas antes. Você me subestimou ao me colocar como alguém que aceitaria viver só com o seu desamor por toda vida. Até tentei, realmente, em todas as vezes que insisti "porque a gente tinha construído um laço", que continuei "até pelo menos por mais alguns anos quando as coisas deverão se acertar" e que engoli minhas dores "porque seu jeito era assim mesmo".
Há algumas marcas por aqui, e faço ideia do que se tornarão. São cortes profundos demais, talvez virem cicatrizes grandes demais. Contudo, ouvi de alguém, que tem sentimentos mais bonitos por mim que qualquer coisa que você já conseguiu nutrir, que "cicatrizes nos constroem! E a gente usa esse amor aqui pra ajudar a cicatrizar". São essas as certezas que têm me ajudado a seguir pelo que sempre fui, alguém que se move por afeto
Não, não tem nada a ver com ressentimentos este nosso reencontro. Nunca fui do sabor amargo, você já me provou por muito tempo para saber que, mesmo com mil defeitos, esse não faz o meu estilo. Eu não me importo mais com o que você constrói ou se permite. Nenhuma destas minhas palavras, sinceramente, querem te culpar. Não entenda esta conversa desta maneira. Tudo que estou te falando é para o meu próprio bem, do qual já havia me esquecido desde quando comecei a me contentar com esse nada. A minha maior sorte tem sido, mesmo recebendo tão pouco de você, não me julgar incapaz de conseguir mais. Meu caminho é cheio de amor, o seu, da incapacidade de amar.
Faz algum tempo que não sou mais seu número. Cresci. Você, não. Não sei se por não querer, ou não poder, mas o fato é que me tornei maior do que pode suportar. Maior até do que já pude supor, confesso, do tamanho dos sonhos que posso construir. E Deus me livre de voltar a ser menor. Quanto ao mérito por esse crescimento, não vou te dar. Nem um grama. Ele é todo meu. Eu me forjei. Eu fui forjada.
Eu quis sair desse lugar te aplaudindo pelo ser que foi há algum tempo. Quis deixar minha mão pendente para segurar uma amizade. Quis saber se as coisas ficariam bem com você. Mas, com tudo que chegou a mim, não preciso. Na realidade, mais do que isso, você não merece, não com todo esse desejo de me machucar. Não merece sequer se tornar uma lembrança gostosa, uma saudade qualquer. Decidi que tudo que preciso manter de você hoje em dia é aquela carta, com letras marcadas, em que tentou destilar toda sua pequenez contra a minha autoestima. Preferi ser compreensiva à sua dor e imaginar que uma agressão tão gratuita só poderia vir de quem já traz feridas muito feias consigo.
Acho uma pena que não exista orações e estrofes mais bonitas para desenhar o que nos aconteceu. Acho mesmo. Entretanto, se tivesse conseguido vislumbrar tudo que me vem agora, talvez não tivesse te blindado de toda a minha frustração com silêncios, olhares ou súplicas antes. Você me subestimou ao me colocar como alguém que aceitaria viver só com o seu desamor por toda vida. Até tentei, realmente, em todas as vezes que insisti "porque a gente tinha construído um laço", que continuei "até pelo menos por mais alguns anos quando as coisas deverão se acertar" e que engoli minhas dores "porque seu jeito era assim mesmo".
Há algumas marcas por aqui, e faço ideia do que se tornarão. São cortes profundos demais, talvez virem cicatrizes grandes demais. Contudo, ouvi de alguém, que tem sentimentos mais bonitos por mim que qualquer coisa que você já conseguiu nutrir, que "cicatrizes nos constroem! E a gente usa esse amor aqui pra ajudar a cicatrizar". São essas as certezas que têm me ajudado a seguir pelo que sempre fui, alguém que se move por afeto
Não, não tem nada a ver com ressentimentos este nosso reencontro. Nunca fui do sabor amargo, você já me provou por muito tempo para saber que, mesmo com mil defeitos, esse não faz o meu estilo. Eu não me importo mais com o que você constrói ou se permite. Nenhuma destas minhas palavras, sinceramente, querem te culpar. Não entenda esta conversa desta maneira. Tudo que estou te falando é para o meu próprio bem, do qual já havia me esquecido desde quando comecei a me contentar com esse nada. A minha maior sorte tem sido, mesmo recebendo tão pouco de você, não me julgar incapaz de conseguir mais. Meu caminho é cheio de amor, o seu, da incapacidade de amar.
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