domingo, 15 de junho de 2014

Só para fugir da azia

O problema do amor é que ele também corre riscos (diferente do que dizem os 50 tons de histórias que você imagina viver um dia) e a descoberta sobre a não existência de príncipes encantados não é tão benéfica e libertadora quanto se prega por aí. 

Saber que a paz do "felizes para sempre" é mera construção poética pode nos induzir ao erro de aceitar qualquer coisa que estiver por perto (só por estar a nosso alcance) e nos levar à culpa por querer mais (mais atenção, mais compreensão, mais noites românticas). 

Pensa aqui comigo, se ele te ofereceu tanto no início (e, pode apostar, se esforçará ainda mais quando notar que te perdeu ou para conquistar o próximo alvo), por que aceitar toda a responsabilidade de manter a harmonia abafando o que te incomoda? Só porque tem menos homens no mercado e você não quer ficar na prateleira? Só porque você encontrou o "homem da sua vida"? 

Deixa eu te contar dois segredos, miga? Primeiro: surpresa! Você não é produto, não! Logo, não deve se notar como parte de transações comerciais. E, segundo, você pode até querer muito dividir o armário e as conversas sobre as notícias do dia com ele, mas... talvez, ele não ache isso tão importante quanto você supõe. Acredite, só existirá o tal "homem da vida" enquanto você for a mulher da vez. 

Esteja atenta! A carência e a "certeza" do sempre nos tornam mais vulneráveis a cair em armadilhas. Quem tem muita fome, toma até sopa de pedra. Já quem está satisfeita, não se rende a qualquer petisco. Comer por gula nunca fez muito bem a ninguém. #ficaadica

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O que era bom do tempo, passa

Conte mesmo mais uma mentira, aposto que ainda me fará bem. Minha vaidade vai adorar te ouvir inventando sobre o quanto sentiu a minha falta ou me procurou sem entender o porquê de eu ter sumido. Ainda assim, mesmo com um nó na garganta, continuarei a me reconhecer. Mesmo não estando no lugar certo, me manterei no meu jeito certo. 

Tente me beijar enquanto te explico a quantas anda meu novo projeto. Mas, já saiba de antemão, vou ter que te impedir e, depois, sorrir. Sei que irá se levantar, procurando um cigarro pela mesa, junto a suas chaves, e dizer qualquer besteira sobre o que viria a ser a melhor decisão para mim, só para mostrar que esteve atento às palavras enquanto encarava meus lábios.

Não vou esperar que recorde dos velhos tempos, mas vou torcer para que traga alguma coisa gasta entre nós. Pode até ser sobre a banda que tocava na festa daquela noite. Só não deixe de soltar, assim, como quem nunca perdeu a proximidade, que foi a noite em que nos reencontramos pela terceira ou quarta vez.

Quanto às promessas, todas ficaram guardadas em alguma caixa daquelas que não mexemos por muito tempo. "Amor"... "Sempre"... Não, não vou te contar que consegui apagá-las, até por que, prefiro seus olhos mais leves e mudarei de assunto antes que possa sentir. Notei que mudou o corte de cabelo. Talvez, não dê mais enrolá-los com os dedos quando tudo acabar. Sei que entenderá. Mas, me manterei calada. E não procure os meus olhos para confirmar, fique perdido com seus pensamentos daí, resgatarei alguns por aqui.

Achei outros lugares para guardar aqueles planos que confidenciava a você, e vou soltar assim, sem qualquer cerimônia. Aí, nesse instante, terei que confessar: não morri de saudades. Em nenhum momento sequer.

Arquivo Eletrônico

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A minha roupa quem escolhe sou eu

"Bandeirinha bonita" é mais uma vítima de cometário infeliz - Arquivo eletrònico

Felizmente, a autoestima existe (não, não me refiro à megalomania nem à arrogância, o prazer de estar satisfeita consigo mesma vai além da pequenez de se sentir maior que os outros), o problema é que pouca gente parece ter descoberto que não é preciso sair por aí desfilando de Camaro amarelo ou com garrafas de Chandon para encontrá-la.

Não é por polêmica que estou aqui, me agarrando a um tema exaustivamente debatido, é por um puro desabafo. Nada contra desejar “a todas inimigas vida longa, para que elas vejam a cada dia mais nossa vitória”, só acho que o caminho está mais constrangedor a cada dia. E enquanto as nights e baladas gritam por “luxúria”, “ostentação” e mais um punhado de palavras que foram incluídas recentemente em alguns vocabulários, nós, nem todas as mulheres, mas muitas, ainda somos acometidas pelos reflexos de alguns desvios.

A cantada engraçada do pedreiro se torna ofensa quando vem carregada de vulgaridade, a noitada com amigas se torna um estresse devido ao assédio de alguns babacas, a ida de ônibus ao trabalho é muito mais cansativa que o desempenho das próprias atividades, o erro da arbitragem é atribuída a causas sexistas quando cometida por uma mulher (veja aqui)... Enfim, lembra da autoestima? Então, vem sido difícil mantê-la vívida. Não existe segurança que não se abale diante de tantas avaliações vindo por baixo.

Aproveito a deixa para esclarecer: não é o tamanho de uma saia que definirá o quanto alguém poderá invadir o espaço de outra pessoa. Fala sério, muito já foi abolido e conquistado até aqui, podemos, sim, vestir shorts curtos, arrasar na make, ser lindas e sair para beber com as amigas sem precisar da “atenção” da mesa ao lado. Não é porque vulgaridade funciona com algumas pessoas que servirá perfeitamente para todo mundo. #ficaadica

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O que ele acha de tudo isso

Ei, menina, isso que você vem chamando de “maturidade”, antes mesmo que notasse, o seu coração já havia definido como cansaço. E vem mesmo com o tempo. Quando ele, implacável na busca por aventuras que desembocassem em calmarias, começa a se desvencilhar das adversidades, é sinal de que entrou no tal processo de maturação.

Ele aprendeu a se calar para evitar desgastes, o que nunca caberia nos planos passados. Sempre buscava ser ouvido, e até gritava se fosse preciso. Agora, prefere se sentir confortável a buscar novas emoções e vivê-las. Já foi tão marcado por seus atos inconsequentes que agora se satisfaz com qualquer lugar onde possa se esconder.

Arquivo Eletrônico
Se isso é bom? Sorte a sua se seu cansaço encontrar um lugar mais calmo para se instalar. Se não, triste sina essa de viver em guerra com a paz que busca cercar os seus dias. O problema talvez seja essa busca por alguém que te entenda. Pura tolice. Às vezes, há a sorte de se encontrar quem tenha a pegada que valha a pena qualquer risco, ou o abraço mais terno em meio ao cansaço, ou uma palavra forte para aquelas manhãs sem sol, mas, ainda não será o que há tanto se espera.

Não precisa baixar o olhar. Ninguém vive muito tempo em consonância com o coração, logo saem do ritmo, mudam a batida e firmam um acordo em que o silêncio de um não tocará no barulho do outro. Sei que ainda consegue se lembrar o quanto já chorou por isso, mas solidão é espaço vazio demais, o que poucas vezes completa alguém.

Agora, que você nem sabe mais como escutá-lo, o barulho é seu e o silêncio, dele. Paciência, menina, paciência. Não é por mal, coração age assim mesmo.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Não veja tudo como perda

Com o tempo, você não vai sentir mais falta das birras ou da maneira como ela fazia tudo acabar em risadas. Mas, não se verá totalmente livre do incômodo por tê-la perdido. Assim como todos os outros que já foram alvos do seus planos, você vai se angustiar ao vê-la de longe, apenas como um mero espectador, mesmo que já tenha se passado dois, quatro ou sete anos, ela é do tipo que irradia expectativas e convida a novidades. Você terá que esconder toda essa gastura que dá em ficar sem falar sobre qualquer outra coisa que não esteja ligada a ela. Mas, vai passar. Você já viveu coisas bem piores e, mesmo assim, olha aí onde chegou.

Talvez você nem saiba, e jamais desconfiaria se não te contasse, mas, em todas as vezes que ouvia o barulho do seu carro, ela sorria, e sorria num riso secreto até escutar a chave na porta. Parava sempre antes da sua entrada e se fingia surpresa, ou surpreendia, pela intromissão da chegada. Por dentro, continuava a sorrir enquanto se derretia num toque de lábios. Se você visse aquele sorriso, garanto, não seria tão rápido nos beijos de reencontros. De qualquer forma, não se sinta mal por isso. Aposto que os dias vinham sendo bastante corridos e tudo o que você mais precisava era de banho quente para relaxar. 

Ela queria segurar sua mão quando sentia medo, ela quase sempre sentia isso, mas, poucas vezes deixava que a descobrisse de tal forma. Espero que você tenha ao menos notado quando o medo gritava de seu coração, ainda que ela fizesse charminho por baratas, escuro, trovões ou celulites, sempre levou uns dois ou três pavores que lhes eram intimamente doídos. Bem, se não os notou, também não se culpe. Não seria mesmo o seu papel e ela, menina que às vezes se pintava, já sabia muito bem disso.

Ah! Quase me esqueci! Sobre aquelas dezenas de potes de óleos e cremes, dos quais você nunca entendeu e tanto reclamava por ocupar o seu armário, eram para você, para que, a qualquer toque, cada pedaço de pele se fizesse ainda mais macio ao seu encontro. As discussões e apaziguamentos cabiam, além de no mesmo minuto, no mesmo colchão, e ela nunca gostou de ser pega desprevenida. Agora, pode aproveitar tudo, o espaço voltou a ser todo seu.

Pois bem, vou revelar um último segredo: ninguém consegue dominar todas as regras. Os homens que ela já jurou ser o cara de sua vida se tornaram mesmo, de algum modo. Apesar de qualquer coisa, ela continua romântica demais para poupar todos os seus casos do amor. E, quanto a isso, nada de preocupações, não será muito diferente com você. Vez ou outra, lembrará de um céu que dividiram e se inspirará para levar alguns versos ao papel. Sortudo. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mais do que foi visto (ou Novidade para o Dia da Mulher)

Arquivo Pessoal
"Afinal, o que as mulheres querem?", quem nunca ouviu, em tom queixoso, uma pergunta desse gênero? Sejam os apaixonados, se empenhando para agradar, os curiosos, em tentativas, fatalmente fracassadas, de entender o universo feminino, ou os raivosos, de saco cheio por nunca acertar. Bem, fiquem felizes, em síntese, somos bastante simples. Na maior parte das vezes, queremos nos resolver com a balança, nos firmar na carreira, mudar alguma coisa no mundo e encontrar amor. Na mesma medida, somos individualmente particulares (e essa redundância é mesmo indispensável), cada uma de nós busca coisas próprias, algumas, comuns, outras, nem tanto. Tá, é quase unânime, nem sempre recorremos às melhores (ou mais objetivas) formas para alcançá-las, complicações têm um cheiro mais excitante, entende?

Em linhas gerais: Nunca nos satisfazemos com o peso e, na mesma medida, não queremos abrir mão do chocolate. Até aí, tudo bem. O problema é que, além das gordurinhas, a autopercepção também é ampliada. Toda mulher em luta contra a balança deve sofrer do transtorno dismórfico (sim, namorado, até eu), caso contrário, não haveria tantas clínicas estéticas bem sucedidas. Parece exagero, tentamos nos convencer que é exagero (inclusive, nos chocamos com a paranoia de amigas próximas), só que esse discurso não funciona muito bem na frente do nosso próprio espelho, ou quando abandonamos a calça 38 e elevamos este número.

Adoramos falar, adoramos sensações, adoramos contato, adoramos detalhes... Certo, em geral, falamos muito mais que os homens, mas, nem sempre dizemos tudo o que queremos (juro que não faz mal perguntar ou tentar entender às vezes). E o mais importante, talvez nem as mulheres saibam disso, o fato de você sonhar em se casar e ter quatro filhos não te rebaixa à traidora do gênero, você pode ser até mais engajada às causas femininas (não adjetivei como "feministas" propositadamente) que aquela amiga que faz parte de algum grupo universal de mulheres e defende, sem polêmicas, cegamente a legalização irrestrita do aborto.

Sobre o amor, não haveria mesmo o que comentar, somos caçadoras de aventuras. Há alguns anos (hoje posso falar sobre isso porque não causa mais constrangimento a ninguém), comprovei o quanto somos indescritíveis. Mulher sonha com romance, com príncipe, com uma serenata e reclama pela falta desses componentes dando luz à vida, mas, de verdade, falta traquejo para lidar com isso na realidade (especialmente se o galã aparece na casa dos seus pais com um vinho para um lual). Aí, o tempo passa, as coisas mudam, mas o desejo por "contos de fadas" permanece, latente em alguma parte da sua consciência, com medo de ser acatado por algum acaso do destino. Parece que o problema é que, mesmo com um valente príncipe ao lado, as garrafas e o violão sempre continuarão assustando.

Só que, porque eu e a maior parte das minhas conhecidas tendemos aos mesmos erros, não significa que TODAS as mulheres reagem da mesma maneira quando expostas aos mesmos estímulos (e não, não somos ratinhas de laboratórios). O que eu quero dizer é que, amanhã é o Dia Internacional da Mulher, experimentem, por mais difícil que pareça, não nos olhar como uma espécie carente, complicada, em plena ascensão ou com qualquer outro conceito pré-fabricado pelo tempo, nos olhem como novidades, cheias de defeitos e gostosuras. Afinal, somos isso mesmo. Ah! E somos únicas. Todas mulheres, mas, únicas. #ficaadica